Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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A inclusão e o Bullying nas aulas de Educação Física: relato de experiência pessoal e docente
Luciano Juchem, Paulo Vicente de Souza Cavalcante

Última alteração: 2019-11-12

Resumo


O professor constrói a sua atividade docente não apenas com a formação acadêmica, mas também com suas vivências pessoais e sua observação do cotidiano. Desta forma, este trabalho tem por objetivo relatar de que forma dificuldades e obstáculos enfrentados durante o período escolar tem contribuído para a minha atividade docente como bolsista do Pibid de subprojeto de Educação Física, nas aulas ministradas para crianças do ensino fundamental.

Durante minha formação escolar tive bastante dificuldade de participação nas aulas de Educação Física pelo simples fato de ter nascido com uma limitação motora que para as outras crianças me tornava um ser estranho e diferente. Hoje eu afirmo com felicidade que sim, eu sou diferente mas não por causa da deficiência, e sim por ser um ser humano como qualquer outro e aceitar que minha limitação não é um defeito como todos acreditavam, mas sim o que me torna único.

Nas aulas que ministro pelo Programa de Iniciação à Docência (PIBID) do subprojeto de Educação Física, eu tento passar essa visão para todos os meus alunos, principalmente para aqueles que demonstram receio de participar das atividades propostas. Grande parte destes alunos não participam porque tem receio do julgamentos dos colegas, julgamento este que acaba por vezes se configurando em bullying.  Esta situação não apenas afasta as crianças das atividades práticas, mas também afeta o desenvolvimento das capacidades de convívio social, do desenvolvimento psicológico saudável e do seu vocabulário motor. A estratégia utilizada para enfrentar o problema do bullying é expor as situações que ocorreram comigo quando tinha a idade deles e de como enfrentei esta situação, a ponto de hoje em dia estar cursando o curso de licenciatura em Educação Física na Univasf. Através de conversas particulares diretamente com o discente que está com receio de participar das atividades ou em grupo com todos os alunos, eu conto como foi difícil crescer com as pessoas usando do bullying como arma para me derrotar e como eu dei a volta por cima para me tornar o profissional que sou hoje. A partir do momento em que comecei a utilizar as experiências que tive como vítima de bullying, foi possível observar um maior respeito e empatia das crianças com aquelas que tinham dificuldades para executar determinadas atividades, também observamos que o diálogo e a atenção são importantes ferramentas para encorajar e motivar a participação dos alunos que inicialmente estavam retraídos. Pessoalmente, estas experiências tem sido muito positivas e motivadoras para continuar me qualificando para me tornar um professor que efetivamente colabore com a formação integral das crianças.


Palavras-chave


Inclusão; Bullying; Educação Física; Pibid