Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Educação permanente como estratégia de acolhimento no município de Petrolina
Lorenna Miranda Ferraz de Queiroz, Luiz Eduardo Santana, Sílvia Raquel Santos de Morais, Paula Andreatta Maduro

Última alteração: 2019-11-14

Resumo


Este relato pretende discorrer acerca da experiência vivenciada na secretaria municipal de saúde e em uma Unidade Básica de Saúde de Petrolina/PE, através de oficinas formativas com funcionários que atuam neste serviço. O objetivo é identificar como ocorre o acolhimento entre as equipes de trabalho e como o mesmo pode fortalecer os vínculos entre as diferentes categorias profissionais e entre esses com os usuários, auxiliando na qualificação de habilidades e na assistência prestada, através da Educação Permanente em Saúde (EPS). O acolhimento é uma diretriz da Política de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS) que acontece mediante escuta qualificada, ordenamento dos serviços e EPS. Realizou-se oito oficinas formativas utilizando-se de metodologias ativas de aprendizagem, ultrapassando os limites do treinamento puramente técnico para alcançar a problematização das práticas, numa perspectiva de ação-reflexão-ação. Participaram das oficinas servidores de diversos setores, sobretudo aqueles que lidam diretamente com usuários do SUS. As oficinas foram planejadas e executadas pelo grupo tutorial PET-Saúde da Univasf, formado por tutores, preceptores (profissionais de saúde) e estudantes dos cursos de psicologia, medicina, farmácia e enfermagem e iniciaram em de junho 2019 e continuam acontecendo mensalmente nos dois serviços supracitados, tendo como foco, o tema acolhimento no contexto da Atenção Básica. No decorrer das atividades, percebeu-se a necessidade de incluir mais gestores nas atividades propostas, conforme solicitação dos presentes, pois problemáticas apontadas perpassa a comunicação deficiente entre setores, rotatividade de profissionais, o comprometimento do vínculo profissionais-usuários, a dificuldade de compreensão do fluxo dos serviços. O acolhimento foi discutido para além da classificação de risco, aproximando a universidade das reais necessidades de saúde das equipes e da população, bem como, a mobilização coletiva em prol da integralidade da assistência. Conclui-se que as oficinas contribuíram para o fortalecimento de vínculo profissionais-usuários, contribuindo para a realização sistemática de EPS mediante trabalho interprofissional. Os participantes tem avaliado positivamente as oficinas, elencando resultados impactantes em suas rotinas, a exemplo: qualificação da escuta, maior atenção à comunicação não-violenta, ao trabalho colaborativo. Pesquisas de satisfação, relatórios de ouvidoria e depoimentos de gestores, trabalhadores da saúde e usuários evidenciam a escuta pouco qualificada e as relações solidárias pouco exercidas, além das necessidades dos trabalhadores de compreender organização dos serviços para garantia de resolutividade. Ressalta-se que ainda existem lacunas nos modos de operacionalização do acolhimento e na gestão dos serviços envolvidos, o que influencia diretamente na satisfação percebida no processo de trabalho. Sugere-se que no decorrer da continuidade das oficinas, haja encontros com a participação de usuários, além da construção de um fluxograma como ferramenta facilitadora do acolhimento. Por fim, o trabalho realizado contribuiu para o entrosamento dos grupos, estimulando a discussão reflexiva como elemento mobilizador de transformações no cotidiano da assistência.

 


Palavras-chave


Palavras-chave: Educação Interprofissional; Acolhimento; Educação permanente em saúde.