Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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INCIDÊNCIA DE MICROORGANISMOS EM HEMOCULTURAS DE SEPTICOS DA EMERGÊNCIA DO HU- UNIVASF
Carla Eliza Ferraz de Oliveira, Mateus Dias Braga, Micaela Loura de Macedo Leite, Anderson Armstrong Costa, Thiago Magalhães Amaral, Marcos André de Oliveira

Última alteração: 2019-11-21

Resumo


A sepse é um conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas em resposta à uma infecção. Esse quadro é conhecido como disfunção orgânica ou falência de múltiplos órgãos. É responsável por 25% da ocupação de leitos no Brasil. A sepse possui alta mortalidade no país, chegando a 55% dos casos, enquanto a média mundial está em torno de 30-40%. É um grave problema de saúde pública pois além da taxa de mortalidade ser alta, os sobreviventes apresentam sequelas e reinternações, diminuindo a qualidade de vida bem como aumentando os custos hospitalares. A identificação precoce e início do antibiótico na primeira hora dos sintomas é a medida orientada pelo protocolo de sepse. A pesquisa teve como objetivo de elucidar o perfil dos micro-organismos nos pacientes sépticos que foram a óbito na emergência do HU-UNIVASF. Métodos. Trata-se de uma pesquisa quantitativa e de análise retrospectiva de dados secundários de prontuários, com corte transversal do desfecho da sepse em pacientes que foram submetidos a cultura devido quadro de infecção na emergência do HU-Univasf no período entre maio de 2017 a maio de 2018. Foram incluídos todos os internados na emergência no período de estudo de 18 a 80 anos e então randomizada amostra de 366 pacientes com o sistema Microsoft SQL Server. Desta forma, foi aplicado o protocolo de sepse aos prontuários, permitindo identificar 249 pacientes com sepse, nos quais 149 compuseram o grupo de óbitos, sendo destes avaliado o perfil bacteriológico. A hemocultura foi realizada no hospital partindo da coleta de 2 regiões puncionadas e conservada em 2 frascos, em seguida foi cultivada e após 7 dias os microorganismos que cresceram naquele material, foram testados quanto à resistência e sensibilidade aos antibióticos. Foi utilizado o teste estatístico do Qui-quadrado de Pearson para as correlações. Esse trabalho faz parte da pesquisa de mestrado em ciências da Saúde e do programa de iniciação científica do Cnpq no HU-UNIVASF no ano de 2019. Através do apoio da gerencia de ensino e pesquisa do HU-UNIVASF e grupo de pesquisa sobre sepse. Quanto aos resultados, dos 249 casos de sepse, 69% foi de origem hospitalar e 31% de origem comunitária, as infecções relacionadas à saúde foram agravantes em ambos os casos. Do total de pacientes apenas 30 obteve conduta de infusão de fluidos, hemocultura e/ou antibioticoterapia. Das 46 culturas analisadas, destacam-se como principais patógenos responsáveis por sepse, Klebisiella pneumoniae 15(32,61%), Staphylococcus 8 (17,39%), Acinetobacter 7(15,22%), Escherichia coli 6(13,04%), Enterococcus 3 (6,52%), Burkholderia, Enterobacter 4 (8,7%), Candida, Serratia, Stenotrophomonas 3 (6,52%). Além de saber os micro-organismos predominantes, identificou-se os antibióticos que podem combate-los e aqueles que eles são resistentes conforme tabela abaixo. Discussão: O HU-UNIVASF é referência em traumas na rede PE-BA, possuindo uma média de 3000 atendimentos mensais no serviço de emergência e muitas vezes provenientes de outros municípios. Esta realidade ocasiona um grande número de internações de pacientes potencialmente sépticos. A diretriz internacional conhecida como Campanha de Sobrevivência à Sepse desde 1992 orienta abordar os pacientes com suspeita de sepse com coleta de amostra para hemocultura e ainda na primeira hora dos sintomas administrar os antibióticos
preconizados na instituição. Em 2018 houve mudanças conceituais nesta diretriz, mas estudos revelam que a identificação precoce e início de conduta na primeira hora interfere na mortalidade e nas sequelas da sepse. Conclusão: O desenvolvimento desse estudo possibilitou, caracterizar os principais agentes causadores de infecções que acometeram os pacientes sépticos internados no HU-UNIVASF. Dessa forma, esclareceu quais são os micro-organismos a serem combatidos na suspeita de sepse e quais medicamentos usar para cada patógeno em questão nos pacientes da porta de entrada na emergência.