Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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SAÚDE DA POPULAÇÃO DO CAMPO EM UM MUNICÍPIO PERNAMBUCANO: REFLEXÕES PETIANAS ACERCA DAS EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS
Gilvan Rodrigues da Cruz Junior, Barbara E. B. Cabral, Biatriz Pereira Barbosa, Eledy da Silva de França, Lusiane Miranda Palma

Última alteração: 2019-11-13

Resumo


A saúde da população do campo é um tema importante para se pensar o fazer saúde no Brasil, um país com grandes extensões rurais. Mas só em 2011, a partir da Portaria 2.866 foi instituída a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, um marco importante nesse debate. A população camponesa é marcada por uma relação intrínseca com a terra, em seu modo de vida e produção, sendo composta por agricultores familiares, trabalhadores rurais, comunidades ribeirinhas e quilombolas. O processo histórico de constituição do território brasileiro trouxe impactos para a realidade rural, marcada pela concentração fundiária e de recursos, engendrando lutas populares e conflitos agrários. Este trabalho objetiva discutir os desafios na promoção/atenção à saúde para a população do campo, partindo da experiência propiciada pelo Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-SAÚDE-Interprofissionalidade/Univasf) em uma equipe de Saúde da Família (eSF) da zona rural de Santa Maria da Boa Vista - PE. Utilizando-se de imersões cartográficas, a equipe formada por três graduandos (Enfermagem, Medicina e Medicina Veterinária), dois tutores/docentes (Psicologia e Medicina Veterinária) e preceptores/profissionais do munícipio (enfermeira e psicóloga) realizou 4 visitas entre abril e setembro de 2019, à Unidade de Saúde da Família Fazenda Milano. Com a perspectiva de construção de vínculos com a eSF e conhecimento da rotina de trabalho, visando traçar estratégias e metodologias para o trabalho que seguirá durante os próximos períodos do PET. Nos encontros, foram realizadas discussões e oficinas com a equipe de saúde, além da participação em visitas domiciliares. Observamos que as dificuldades relacionadas às condições de trabalho e a falta de políticas públicas adequadas às condições de vida dessa população se destacaram como elementos fundamentais a serem consideradas no planejamento das atividades do projeto. Em contato com a população, nas visitas domiciliares, percebemos a dificuldade de acesso aos serviços como um problema. O transporte constitui fator importante para a integralidade proposta pelo SUS, a comunidade recorrentemente refere-se a essa barreira quando necessitam de serviços da atenção secundária. Observou-se também que há falhas na comunicação entre equipe e população, reveladas na falta de informação da população sobre os próprios serviços fornecidos pela Atenção Básica. São grandes os desafios para efetivação dos processos de cuidado, a exemplo das ações de promoção em saúde que esbarram na falta de recursos básicos, como hipoclorito de sódio, fundamental para uma população que não conta com água tratada. Outra dificuldade são os casos de vulnerabilidade social extrema, que dão a ver as lacunas na rede de atenção. Essa aproximação, promovida pelo PET-Saúde, indica que os desafios para a atenção à saúde no campo devem ser mais discutidos nos processos de formação contextualizada, dado haver especificidades nesse cenário tão comum para a região e possível espaço de atuação para os futuros profissionais. Dessa forma concluímos que é fundamental investir em uma formação profissional implicada, próxima da realidade, e que prepare para uma leitura crítica desses desafios, que requer soluções inovadoras, em perspectiva colaborativa.

 


Palavras-chave


Atenção Primária à Saúde; Formação Profissional; Saúde da População Rural; Sistema Único de Saúde; Práticas Interdisciplinares