Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Avaliação de patogenicidade cruzada em Macrophomina phaseolina
Pedro Ivo Silvestre Siqueira e Silva, Francine Hiromi Ishikawa, Alexandre Sandri Capucho, Francisco Álef Carlos Pinto, Luan Felipe Santos do Nascimento, Kecia Mayara Galvão de Araújo

Última alteração: 2019-11-21

Resumo


Dentre as doenças fúngicas de maior importância que ocorrem no semiáridobrasileiro podemos citar a podridão cinzenta do caule ou podridão do colo,causada pelo fungo Macrophomina phaseolina (Tassi) Goid. A doença éfavorecida por condições de altas temperaturas, associadas ao déficithídrico e também à salinidade do solo. Essas condições sãofrequentemente observadas em lavouras de sequeiro no semiárido. Aocorrência de doenças como as causadas pela M. phaseolina podem limitar aprodução em culturas como feijoeiro e meloeiro, principalmente em áreascom histórico da doença. O objetivo deste trabalho foi determinar aocorrência de especialização de hospedeiro para isolados de M. phaseolinapor meio de avaliação de patogenicidade cruzada, utilizando isoladosprovenientes de diferentes hospedeiros (feijão comum, feijão caupi emelão). Foram realizados dois experimentos correspondendo a dois períodos:1) entre outubro e novembro de 2018 e 2) entre abril e maio de 2019. Foramutilizados oito isolados do fungo Macrophomina phaseolina obtidos de plantasde feijão caupi (N102 e N105), feijão comum (16, 59 e 80) e melão(CMM2061, CMM2684 e CMM2700). O experimento foi realizado em delineamentointeiramente casualizado (DIC), utilizando esquema fatorial 8 x 3, sendo 8isolados de M. phaseolina e 3 hospedeiros (feijão comum, feijão caupi emelão) com 5 repetições, sendo a parcela experimental composta por duasplantas (vaso de 1L). A inoculação foi por meio do método de perfuraçãodo caule com palito de dente e ocorreu 15 dias após a semeadura utilizandoos palitos colonizados pelo fungo. A perfuração ocorreu na região do colodas plantas, cerca de 2 cm acima do solo. Foram realizadas quatroavaliações, sendo a primeira avaliação feita no dia da inoculação e asdemais a cada três dias. Os hospedeiros foram avaliados quanto aocomprimento de lesão, comprimento da parte aérea, severidade e áreaabaixo da curva de progresso da doença (AACPD). As plantas foram irrigadasdiariamente e após a inoculação a quantidade de água foi controladamanualmente utilizando-se 100 mL por dia até o fim do experimento. Osresultados mostraram que os oito isolados de M. phaseolina foram capazes dedesenvolver a doença. No primeiro experimento, os isolados CMM2061, CMM2684e CMM2700, todos obtidos de plantas de melão, não causaram sintomas emplantas de feijão comum. Os mesmos isolados também apresentaram menoresvalores para comprimento de lesão, severidade e AACPD em seu hospedeiro deorigem. Em feijão caupi todos isolados causaram doença, não havendodiferença significativa entre os isolados. Como o crescimento das plantasfoi pouco afetado pelos isolados, os valores de comprimento de lesão eseveridade apresentaram os mesmos resultados em ambas as repetições. Osisolados 59 e 80 apresentaram as maiores médias para lesão, severidade eAACPD e diferiram estatisticamente de outros isolados em seu hospedeiro deorigem, feijão comum. Portanto, observamos a patogenicidade cruzada paratodos os isolados e apenas para feijão comum os isolados mais agressivosforam os de origem.

Palavras-chave


Vigna unguiculata; Cucumis melo; Phaseolus vulgari;, podridão cinzenta do caule; especialização de hospedeiro