Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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RELAÇÕES DOS INDICATIVOS DE BURNOUT E DAS ESTRATÉGIAS DE COPING EM JOVENS ATLETAS DE FUTEBOL EM FUNÇÃO DA PROFISSIONALIZAÇÃO E OCORRÊNCIA DE LESÕES
Adson Alves Silva, Gabriel Lucas Morais Freire, Vinícius da Cruz Sousa, José Roberto Andrade do Nascimento Junio

Última alteração: 2019-11-06

Resumo


O esporte de alto rendimento tem exigido cada vez mais esforço e dedicação dos seus praticantes. Jovens atletas estão mais suscetíveis ao impacto do estresse causado pelo esporte. Percebe-se que os atletas lesionados são mais vulneráveis aos agentes estressores. Ainda, jovens atletas na fase de transição para a equipe principal são mais expostos aos estressores presentes no esporte de alto rendimento. Uma das consequências a longo prazo desses estressores é a síndrome de burnout, que é definida como uma síndrome psicológica decorrente do estresse crônico. No entanto, os atletas dispõem de um importante recurso psicológico para enfrentar o burnout, que são as estratégias de “coping. Tais habilidades psicológicas se referem a um processo resultante do esforço motor, comportamental e cognitivo que está em constante mudança para lidar com as demandas psicofísicas que excedem a capacidade de lidar com situações estressantes. Nota-se que a utilização do enfrentamento do estresse voltado para o problema pode reduzir os níveis de burnout e, consequentemente, atenuar os danos provocados pelo estresse. O objetivo deste estudo foi investigar o papel preditor das estratégias de coping sobre os indicativos de burnout de jovens jogadores de futebol, além de compará-los em função das  lesões e profissionalização. Participaram deste estudo transversal 228 jogadores de futebol do sexo masculino, com média de idade de 18,05 ± 1,2 anos. Como instrumentos foram utilizados oAthletic Coping Skills Inventory-28 (ACSI-28BR), o Questionário de Burnout para Atletas (QBA) e um Questionário Sociodemográfico. Para análise dos dados, foi utilizado o modelo de Equações de Estimativas Generalizadas, a Correlação de Pearson e a Regressão Linear Múltipla (p < 0,05). Os resultados evidenciaram diferença significativa entre os atletas profissionalizados e não-profissionalizados na dimensão de burnout de reduzido senso de realização esportiva (p=0,009) e nas estratégias de coping de rendimento sob pressão (p>0,001), confronto com a adversidade (p=0,008), concentração (p=0,43), formulação de objetivos (p=0,004) e confiança e motivação (p=0,002), indicando que os jogadores não profissionalizados  apresentam maior sentimento de insucesso na carreira e maiores indicativos de estresse oriundo da modalidade, bem como menos habilidade para enfrentar os eventos estressores decorrente da modalidade. As estratégias de coping emergiram como preditoras dos indicativos de burnout tanto para os jovens atletas profissionalizados quanto para os não profissionalizados, elas explicaram 19% e 14% respectivamente da dimensão ‘Exaustão física e emocional’. Já na dimensão ‘Reduzido senso de Realização’ o coping explicou 11% e 7% respectivamente da sua variância, indicando que as estratégias de coping são fatores que interferem nos níveis de estresse e consequentemente na saúde mental dos jovens atletas. Conclui-se que para o contexto do futebol Baiano sub-20, estar profissionalizado é fator que influência no sentimento de realização esportiva, bem como nas estratégias para o enfrentamento dos estressores. Além disso, a habilidade para lidar com os agentes estressores são fatores intervenientes das ocorrências de doenças causadas pelo estresse crônico nos jovens atletas.

 


Palavras-chave


Esporte; Agentes estressores; Saúde mental; Exaustão emocional