Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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LEVANTAMENTO FITOSSOCIOLÓGICO EM ÁREA DE RESERVA LEGAL NO PROJETO DE IRRIGAÇÃO DO PONTAL, EM PETROLINA-PE
Cinthia Andrade Sousa, Leonardo Chalegre Alves, Joyce Dávilla Rodrigues de Moura, Willian Sousa e Souza, Daniel Salgado Pifano

Última alteração: 2019-11-13

Resumo


O Nordeste do Brasil tem a maioria de seu território ocupado por uma vegetação xerófila, de fisionomia e florística variada, denominada Caatinga. Este bioma detém a maior biodiversidade das regiões semiáridas do planeta e se encontra ameaçado. A ecorregião que abriga este trabalho é a Depressão Sertaneja Meridional, na área do submédio São Francisco, onde há desmatamento para atividades de agropecuária ou agricultura, algo que é evidente no submédio São Francisco, ocupado por um grande polo fruticultor. Isso culmina na carência com a preservação da vegetação nativa remanescente, mesmo sendo protegida por lei através das reservas legais em propriedades rurais. A área alvo deste estudo encontra-se em uma destas reservas legais e se soma aos pequenos fragmentos de Caatinga da região ainda “protegidos” dentro dessas reservas. Portanto, o objetivo deste trabalho foi conhecer a composição, estrutura e a diversidade do componente arbóreo-arbustivo da reserva legal da fazenda dos Ipês e avaliar se a vegetação se encontra ecologicamente em avanço sucessional, comparando a flora lenhosa encontrada com outras na mesma região. Foi realizado um levantamento fitossociológico através da alocação de 25 parcelas de área fixa (400m²), totalizando 1ha de área amostral. As parcelas foram distribuídas sistematicamente e equidistantes 80m nos transectos. Entre transectos houve 150m de distância. O critério de inclusão dos indivíduos foi a circunferência na altura do solo maior ou igual a 15,8cm. Durante o levantamento fitossociológico foram amostrados 570 indivíduos, distribuídos em 13 espécies de 6 famílias botânicas. As famílias mais representativas foram Euphorbiaceae, representada em 5 espécies e Fabaceae em 4, totalizando 69,22% da riqueza. Poincianella microphylla e Mimosa tenuiflora se destacaram como as espécies mais abundantes e frequentes. Amburana cearensis; Manihot sp.; Piptadenia stipulacea foram consideradas raras, com apenas um indivíduo na amostragem. O valor para índice de Shannon revelou baixa diversidade na comunidade (H’=1,79), e o valor da equabilidade de Pielou foi de J’=0,69. Essas informações caracterizam a dominância de duas espécies sobre as demais, as quais correspondem aos maiores valores de importância e valores de cobertura: Poincianella microphylla (VI=106,07 e VC= 89,879) e Mimosa tenuiflora (VI=67,86 e VC=50,964). M. tenuiflora forma matas no início da sucessão, por ser espécie colonizadora, apontando o estágio progressivo de sucessão secundária. Da mesma forma, P. microphylla também demonstra bom desenvolvimento em áreas com início de sucessão, refletindo a resiliência da Caatinga frente a processos antrópicos. Portanto, a Caatinga estudada se encontra com baixa riqueza e elevada dominância de duas espécies. E se este cenário se repetir nas demais reservas legais existentes na área do Pontal medidas de intervenção na vegetação visando sua conservação e melhora devem ser incentivados.

Palavras-chave


Fitossociologia; Caatinga; Reserva legal;