Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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CARACTERÍSTICAS ELETROCARDIOGRÁFICAS EM EQUINOS SEDADOS, SUBMETIDOS A EXAME ODONTOLÓGICO
Mariana Sales Rodrigues, Alan Greison Costa Macedo, Isabel Cristina Rodrigues Feitosa, Bianca de Freitas Claro Manzini, Alexandre Coutinho Antonelli

Última alteração: 2019-11-11

Resumo


A eletrocardiografia é uma importante ferramenta de informação cardiológica na medicina equina e passa por processo de aperfeiçoamento dos seus métodos. O método Einthoven é um dos métodos utilizados para registro eletrocardiográfico em humanos e pequenos animais, onde estima-se que o coração fique no centro de um triângulo formado pelos membros anteriores e o posterior esquerdo. Este método vem sendo adaptado para equinos, entretanto, nesta espécie o coração não se encontra no centro do triângulo formado pelos membros, o que pode resultar em leituras eletrocardiográficas imprecisas. O presente estudo visou avaliar comparativamente ritmo, duração e amplitude de onda P e complexo QRS, por meio do método Einthoven (Plano Frontal), e também pelo método Fré, desenvolvido recentemente, em eqüinos que foram submetidos a exame odontológico. Foram utilizados 38 cavalos SRD, selecionados aleatoriamente entre machos e fêmeas oriundos do município de Petrolina-PE, que foram sedados com Cloridrato de Xilazina 10% na dose de 0,5 mg/kg/IV para realização de exame odontológico. Foi realizado exame eletrocardiográfico utilizando o Eletrocardiógrafo Digital TEB ECGPC VET, antes e após 5 minutos da administração do cloridrato de xilazina. Apesar de terem existido diferenças entre o ritmo cardíaco (taquicardia sinusal e ritmo sinusal normal) entre alguns equinos, e de 73,6% animais apresentarem uma redução na freqüência cardíaca após serem sedados, não houve diferença entre os valores médios da freqüência cardíaca antes e durante a sedação, tampouco entre os métodos eletrocardiográficos. Destaca-se que apenas 44% (17/38) dos equinos apresentaram onda P bífida no método Einthoven e 34,2% (13/38) no método Fré, diferindo de outros estudos, onde a onda P bífida está presente entre 65% a 90%. O valor médio de duração da onda P (104,3 ± 22,6), assim como o valor médio da duração do intervalo entre os picos de ondas P (50,5±8,7) dos equinos que apresentaram onda bífida foi inferior aos valores obtidos por Costa (2017) utilizando o método Fré (127,3 ± 17,2 e 61,1 ± 13,6, respectivamente). Possivelmente esta diferença de valores esteja relacionada com o melhor condicionamento cardíaco dos animais utilizados por Costa (2017) que eram equinos atletas de corrida, e os utilizados neste experimento eram animais de tração ou sedentários, cujo condicionamento físico não era desenvolvido. As determinações dos intervalos P-P, P-R, QT e QTc também não diferiram entre os métodos estudados. Apenas a duração do complexo QRS apresentou-se significativamente menor no método Fré durante a sedação. Em relação ao eixo cardíaco, houveram resultados significantes, mostrando que pelo método Einthoven o eixo mostra-se voltado para baixo, à esquerda, apontando para as derivações I e II. Pelo método Fré os valores demonstram o eixo do coração voltado para cima, mais para a esquerda, apontado para aVL. O método Fré mostrou-se mais adequado para a realização de eletrocardiograma em equinos, pois foi o método com menor variação no eixo elétrico cardíaco, além de indicar o eixo elétrico compatível com a anatomia cardíaca de cavalos. A administração de Cloridrato de Xilazina não produziu alterações significativas no traçado eletrocardiográfico de equinos.


Palavras-chave


Cavalo; Eletrocardiograma; Xilazina.