Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Análise das relações entre características sociodemográficas, uso de substâncias, depressão, ansiedade e impulsividade em usuários do CAPS-AD III de Petrolina-PE
Mayki Jhefferson Alves Dias, André Q. C. Miguel, Angelo A.S. Sampaio, Ana Karoline Sarmento Nóbrega, Antônio F. da Silva, Izabel Cristina F. de Carvalho, José Ricardo P. Corioloano, Karina de Souza Silva, Rafael A. Rodrigues

Última alteração: 2019-11-07

Resumo


O uso de substâncias psicoativas é questão de saúde pública, uma vez que está relacionado a maior índice de mortalidade, violência, doenças infecciosas associadas, dentre outros problemas sociais. No Brasil, pessoas que sofrem com o Transtorno por Uso de Substâncias (TUS) têm como referência no serviço público de saúde os Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS AD). Este serviço funciona como porta de entrada desses usuários no Sistema Único de Saúde (SUS), exercendo papel fundamental nas redes de atenção psicossocial. É necessário se compreender quem é o usuário do CAPS AD para se definir o modelo de tratamento mais adequado às suas características e necessidades, com planejamento baseado em evidências científicas. O objetivo deste estudo foi avaliar as associações existentes entre características sociodemográficas, uso de substâncias, ansiedade, depressão e impulsividade dos usuários do CAPS AD III de Petrolina-PE. Cinquenta usuários do serviço, sendo apenas três do sexo feminino, foram recrutados por conveniência. Dados sociodemográficos e histórico de tratamentos foram obtidos por meio de um questionário estruturado. O histórico e padrão de uso de substâncias foram obtidos através do Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test (ASSIST). Indicadores de depressão e ansiedade foram identificados através do Inventário de Depressão de Beck-II (IDB-II) e Inventário de Ansiedade de Beck (IAB), e a impulsividade foi avaliada por meio da versão adaptada para o português da Escala Barratt de Impulsividade (BIS-11). A maioria dos usuários eram homens (94%), com idade média de 42 anos e solteiros ou separados/divorciados; 42% estavam desempregados ou afastados e apenas 12% tinham emprego registrado. Mais da metade (54%) possuía ensino fundamental incompleto, com média de 6,6 anos de estudo, sendo prevalentes aqueles das classes D-E (58%). A maior parte já se tratou antes, participou de grupos de autoajuda e pretendem parar o uso das substâncias. As substâncias mais utilizadas foram: álcool, cocaína/crack, tabaco e maconha. Em relação ao álcool, 42% apresentaram riscos graves devido ao uso. Para a cocaína/crack, 72% apresentaram risco mínimo quanto ao uso e 38% apresentaram riscos moderados quanto ao uso de tabaco. O escore de depressão em solteiros foi o mais alto, indicando depressão moderada. Já o maior escore de impulsividade foi entre casados. As maiores pontuações no BIS-11 foram entre desempregados. A classe C2 apresentou maiores escores no IAB e IDB. Houve uma correlação positiva moderada entre os escores do IAB e IDB (r = 0,69), IAB e BIS (r = 0,53) e IDB e BIS (r = 0,46). Em relação às demais variáveis, como idade e escolaridade, houveram correlações fracas. Os dados obtidos possibilitam melhor visualizar as características dos usuários do CAPS AD III de Petrolina. Essas informações apontam para a necessidade de desenvolvimento de intervenções que levem em consideração, também, as comorbidades possíveis do TUS com transtornos de humor e ansiedade, por exemplo.


Palavras-chave


transtorno por uso de substâncias; perfil sociodemográfico; centro de atenção psicossocial