Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Desenvolvimento Agroecológico em Hortas Comunitárias
João Rafael dos Santos Cardoso, Izaias da Silva Lima Neto

Última alteração: 2019-11-18

Resumo


Para garantir o próprio sustento o ser humano promove a artificialização do ambiente natural e o transforma em um agroecossistema produtivo. Algumas práticas realizadas dentro destes agroecossistemas podem prejudicar o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores, como a utilização de agrotóxicos e o manejo errôneo dos recursos naturais, como água e solo. Esse tipo de manejo ainda é observado em algumas hortas comunitárias no município de Petrolina-PE. Nesse contexto, a agroecologia surge como alternativa à produção convencional, pois, em uma produção agroecológica não se utiliza quaisquer agrotóxicos e sempre se preza pela conservação dos recursos naturais, promovendo formas de manejo mais sustentáveis. Diante disso, o projeto objetivou orientar os agricultores de duas hortas comunitárias da cidade de Petrolina-PE para o desenvolvimento de técnicas agroecológicas. O trabalho foi desenvolvido nas hortas comunitárias das Escolas Simão Amorim e Jornalista.  Inicialmente foi realizada palestra sobre o desenvolvimento da agricultura e “Agroecologia” e realizado um diagnóstico participativo junto aos agricultores. Os problemas com o solo foram eleitos como prioritários. Assim, foram trabalhadas as técnicas agroecológicas condizentes com as prioridades dos agricultores, de forma teórica e prática, incluindo adubação verde, rotação de culturas, compostagem e biofertilizante. Para realização da adubação verde os agricultores escolheram canteiros que já não davam bons resultados, tendo sido semeadas na forma de coquetel quatro espécies leguminosas e uma gramínea. Enquanto as espécies de adubos verdes se desenvolviam foram abordadas as técnicas de compostagem e biofertilizante. As pilhas de compostagem foram elaboradas com camadas intercaladas de material rico em carbono (palha seca) e nitrogênio (esterco caprino), enriquecido com pó de rocha. O biofertilizante foi preparado em um recipiente com capacidade de 110 litros realizando-se a mistura de esterco bovino fresco (1/3), água (2/3) e pó de rocha (3 kg/100 litros) e açúcar mascavo (1 kg/100 litros). O manejo da compostagem e biofertilizante envolveu revolvimento periódico e irrigação para a compostagem. Após aproximadamente dois meses foi realizada a ceifa e incorporação da adubação verde ao solo. O biofertilizante foi utilizado pelos agricultores em canteiros de alface, coentro e cebolinha após os 45 dias necessários para sua maturação. Ao termino do terceiro mês da montagem da compostagem os agricultores começaram a utilizar o composto para a renovação dos canteiros, aplicando-o no momento do preparo das áreas para plantio de novas sementes. É notório que as práticas agroecológicas apesentaram bons resultados e foram bem aceitas entre os agricultores, mesmo com o projeto ainda em andamento. Identificou-se a necessidade de realizar outras atividades, especialmente, a rotação de culturas, pois ainda não foi bem apropriada pelos agricultores. Tendo em vista os aspectos observados, os agricultores se mostraram receptivos a novos conceitos e práticas relacionadas ao manejo agroecológico da horta, porém, ainda se evidencia a necessidade do acompanhamento técnico para o desenvolvimento de algumas atividades.


Palavras-chave


Agroecologia, Produção Comunitária, Agricultura Urbana