Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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HISTÓRIA DA QUÍMICA PRÁTICA NO SERTÃO BAIANO NO MUNICIPIO DE SENHOR DO BONFIM (1928-1985). UMA VISÃO SOBRE A FABRICAÇÃO DAS ESPADAS JUNINAS
Uésley Renato Figueiredo Castro da Silva, José Eduardo Clemente

Última alteração: 2019-11-19

Resumo


Senhor do Bonfim é um município brasileiro localizado na região norte do estado da Bahia, a 384Km da capital Salvador. No âmbito cultural, Senhor do Bonfim se destaca nos festejos juninos, que há mais de cem anos a cidade sedia a maior festa junina da Bahia, onde ficou conhecida como capital baiana do forró. Trios de sanfoneiros, bandas de pífanos, festejos no espaço Gonzagão, alvoradas, fogueiras juninas nos mais diversos bairros e principalmente a polêmica e tradicional guerra de espadas, nosso objeto de estudo, que desde o ano de 2017, encontra-se proibida. São as principais características dos festejos juninos da cidade. O presente trabalho buscará responder às seguintes questões: Como se dava a fabricação desses artefatos? Como esses fabricantes se organizavam? Qual a importância cultural da “guerra de espadas“ e desse conhecimento popular, passado de geração em geração, para história da química pratica no município de Senhor de Bonfim? Entre o ano 1928 a 1985. Visto que, os fogueteiros cumpriam o papel de um químico popular, que buscavam sintetizar novos elementos para reagir com a pólvora negra, deixando a espada mais forte e encantadora.  Os dados da pesquisa foram parcialmente levantados em entrevista com o fogueteiro mais velho da cidade, onde o mesmo identificou os processos para o fabrico das espadas, seus diferentes tipos de compostos químicos que servem como reagentes na combustão da espada. Ressalta-se que o composto básico para se fabricar a espada é a pólvora negra, que é composta pelo nitrato de potássio (KNO3), Enxofre (S) e o carvão vegetal. Ao longo do tempo, novos elementos foram sendo sintetizados às espadas, como o Estanho (Sn), para gerar faíscas mais luminosas. Outros compostos foram utilizados com o objetivo de dar mais cores às espadas, são eles: Nitrato (NO3), Clorato (ClO3-) e Estrôncio (Sr). As cores podem variar a depender do composto utilizado, as mais comuns são: vermelhas, usando o Lítio (Li) como reagente; o verde, utilizando o Bário (Ba); amarela, com Sódio (Na) e azul, com Potássio (K). Esses são alguns resultados de experimentos práticos dos fogueteiros no fabrico das espadas juninas. Observa-se a importância dessa manifestação cultural para sociedade bonfinense, o impacto causado pela sua proibição, afetando diretamente na renda dos fabricantes e no turismo da cidade nos festejos juninos e principalmente, de como seus conhecimentos populares fomentam a história da química pratica no município de Senhor do Bonfim.


Palavras-chave


Química Prática; História da Ciência; Guerra de Espadas.