Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Práticas Corporais Infantis no Semiárido: acesso e produção de novos registros
Viviane Conceição Silva, Sara Gonçalves da Silva, Maria Eduarda Libório Silva, Ana Paula Siqueira da Ponte, Joelzio dos Santos Oliveira, Roberta de Sousa Melo, Christiane Garcia Macedo

Última alteração: 2019-11-08

Resumo


O semiárido é um região culturalmente riquíssima, influenciada e influenciadora de várias comunidades e pessoas. As práticas corporais compõem essa cultura. Elas são as manifestações como os jogos, brincadeiras, danças, atividades físicas, lutas, esportes que constroem as nossas identidades e como valoramos a relação corpo/natureza/sociedade. Sendo assim, refletir sobre as memórias ligadas a essas manifestações é de fundamental importância, visto a centralidade que elas têm especialmente nos momentos de lazer do sujeito e das comunidades. Além disso, estudos dessa natureza ajudam a visibilizar e valorizar a cultura local, bem como o registro para que futuras gerações possam ter acesso a ela.  Desta forma, esse projeto está vinculado a um projeto maior que tem como objetivo: identificar, produzir, preservar e analisar as memórias das Práticas Corporais e da Educação Física nos ambientes educativos, familiares, comunitários e de lazer da região do Semiárido. Especificamente, trabalharemos com a temática de jogos, brincadeiras e outras práticas de pessoas que vivenciaram sua infância na região do Semiárido. Isso está sendo feito através de entrevistas de História Oral, fotografias de brinquedos, registros de brincadeiras e jogos. Como lente para formular as questões de pesquisa e para guiar o desenvolvimento do trabalho, utilizaremos a História Cultural, por indicar a busca pela contextualização e problematização, tentando compreender o significado dos acontecimentos para a época e para o presente, porém sem considerar que o hoje é uma consequência direta e simples do que ocorreu anteriormente (BURKE, 1991). Operamos com a História Oral (ALBERTI, 2010) como uma metodologia para a produção de fontes para esta pesquisa, sobretudo, no intuito de identificar a narrativa daqueles/as que vivenciaram ou presenciaram as práticas corporais na região, especialmente na sua infância e juventude. Foram realizadas até o momento 11 entrevistas, com pessoas que tenham vivido e vivenciado práticas de sua infância e juventude na região do Semiárido brasileiro. As entrevistas passam pelas seguintes etapas: seleção da pessoa a ser entrevistada por meio de indicação ou pesquisas exploratórias, contato com a pessoa para agendamento, construção de roteiro semiestruturado, considerando os objetivos da pesquisa e da temática, encontro, explicação, assinatura do TCLE, registro da entrevista com gravador digital, transcrição, conferência de fidelidade da transcrição, copidesque, pesquisa de termos, devolução ao entrevistado, revisão final e publicação. Como considerações parciais, visto que o projeto está em andamento, destacamos que muitos entrevistados trabalharam em sua infância, o que levou as práticas corporais para tempos reduzidos. A rua, a roça, o quintal eram os ambientes mais comuns. As brincadeiras eram com materiais improvisados ou simples, como bolas de meia, bonecas de pano, galhos, pedras, ou simplesmente comandos de voz, canções e movimentos. A divisão entre meninos e meninas embora aparente, mostra que por vezes as fronteiras eram borradas e a divisão suspensa. Se percebe também a presença de mais agressividade em relação às brincadeiras relatadas pelos homens, do que aquelas que vemos hoje. Todos(as) demostraram saudades desse momento, como um período de maior liberdade.

Palavras-chave


Práticas Corporais, História, Infância