Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Identificação e caracterização de interações medicamentosas potenciais em pacientes oncológicos
Emanuella de Souza Ribeiro, Sybelle Christianne Batista Lacerda Pedrosa

Última alteração: 2019-11-12

Resumo


Introdução: O câncer é uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado de células com instabilidade genética que podem invadir tecidos e órgãos adjacentes. Os pacientes oncológicos são suscetíveis as interações medicamentosas devido a polifarmácia que inclui medicamentos antineoplásicos, extremamente tóxicos e os de suporte para auxiliar na terapêutica antitumoral e outras comorbidades existentes. Justificativa: Devido à escassez de estudos sobre a revisão da farmacoterapia direcionada a área da oncologia, há a necessidade da realização de mais pesquisas para maior conhecimento pelos profissionais da saúde acerca dos eventos adversos do tratamento do câncer. Objetivos: Identificar a ocorrência de interações medicamentosas potenciais (IMP) em prontuários de pacientes oncológicos, classificá-las quanto à gravidade, mecanismo de ação e evidência científica. Metodologia: Trata-se de um estudo com delineamento transversal, retrospectivo, abordagem quantitativa e descritiva. A pesquisa foi realizada em um hospital público no município de Petrolina-PE durante o período de junho a outubro de 2019. Para avaliar as IMP foi utilizado as bases de dados eletrônicas Micromedex e Drugs.com de forma complementar. Na análise estatística descritiva foi empregado o software RStudio versão 8.3 e realizado os testes de correlação linear de Pearson e Qui-quadrado. Para todos os testes, considerou-se nível de 5% de significância. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o nº 3.245.961 e CAAE: 06669419.6.0000.5196. Resultados: Analisou-se 202 prontuários de 48 pacientes oncológicos, sendo 35,4% (n=17) pacientes do sexo feminino e 64,6% (n= 31) pacientes do sexo masculino. Verificou-se a média de idade dos pacientes com até 18 anos, sendo 8,2 ± 5,4.  A média de idade dos pacientes maior que 18 anos foi 64,2 ± 15,9. Identificou-se 527 interações medicamentosas potenciais, sendo 95 IMP de tipos diferentes. Foi observado 10,9 IMP por paciente e 2,6 IMP por prontuário. A IMP mais prevalente foi entre o metotrexato e sulfametoxazol 4,9% (n=527) com gravidade moderada, nível de evidência científica excelente, mecanismo de ação farmacocinético e efeito clínico mielossupressão. Foram prescritos 659 medicamentos de suporte (MS), sendo 66 MS de tipos de diferentes e prescritos 13,7 MS por paciente. O MS prescrito com mais frequência foi ondansetrona (25,3% e n=659). Foram prescritos 494 medicamentos antineoplásicos (MA), sendo 28 MA de tipos diferentes e 10,3 MA por paciente. O MA mais prescrito foi mesna com frequência relativa de 12,7% (494). O coeficiente de correlação linear entre o número de interações medicamentosas potenciais e número de medicamentos prescritos foi de 0,72 (p < 0,001). Não houve associação estatisticamente significativa entre as demais variáveis do estudo. Conclusão: O presente trabalho demonstrou a importância da revisão da farmacoterapia no tratamento do câncer para identificar e minimizar a ocorrência de IMP e, desse modo, os eventos adversos em pacientes oncológicos. Os serviços clínicos do farmacêutico, bem como de outros profissionais de saúde envolvidos em uma equipe multidisciplinar especializada em oncologia são indicados para garantir maior segurança, eficácia e adesão do paciente à terapia anticâncer.


Palavras-chave


Antineoplásicos; câncer; oncologia.