Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Estudo fitoquímico de extratos das raízes de Cannabis sativa Linnaeus (CANNABACEAE)
Daniel Amando Nery, Cristiane Dos Santos Cerqueira, Ana Paula Oliveira, Jackson Roberto Guedes da Silva Almeida, Kátia Simoni Bezerra Lima, Larissa Araújo Rolim, Janaine Almeida Neto, Camila De Souza Araújo

Última alteração: 2019-11-11

Resumo


A Cannabis sativa L. pertence à família Cannabaceae, popularmente conhecida no Brasil como maconha, é uma espécie de grande potencial terapêutico, uma vez que seus metabólitos secundários mostram bioatividades potentes. Dentre os metabolitos produzidos podemos citar: canabinoides, alcaloides, esteroides, terpenoides, flavonoides, entre outros. O estudo tem como objetivos: Analisar a fitoquímica dos extratos das raízes da espécie Cannabis sativa, identificar e/ou elucidar estrutura dos constituintes químicos através da técnica de ressonância magnética nuclear (RMN), avaliar o potencial tóxico das raízes de C. sativa através do ensaio de toxicidade aguda. O material vegetal foi coletado e doado pela Polícia Federal oriunda de apreensão em Curaça-BA. Uma exsicata foi codificada e depositada no Herbário da UNIVASF (HVASF) (SisGen: AC1D0D9). O material vegetal foi seco em estufa e pulverizado em moinho. O pó foi submetido à maceração com etanol e posteriormente, metanol. A solução extrativa passou por processo de destilação do solvente em rotaevaporador obtendo-se o extrato etanólico bruto (EEB) e extrato metanólico bruto (EMB). O perfil fitoquímico preliminar foi obtido através da sujeição do EEB e EMB a eluição em cromatoplaca de cromatografia em camada delgada analítica (CCDA) em sistemas de solventes e reveladores específicos para classes de metabólitos secundários. Na análise da toxicidade aguda foi realizado o teste de toxicidade com Artemia salina usando o EEB, onde a amostra em diferentes concentrações (1, 50, 100, 250, 500, 1000 μg/mL) foram testadas para posterior cálculo da concentração letal 50% das amostras. Realizou-se uma coluna cromatográfica com o EEB e EMB, as frações obtidas foram analisadas por cromatografia em camada delgada analítica, e a separação da fração realizada a partir da cromatografia de camada delgada preparativa (CCDP), onde se obteve as subfrações 6 (23-26), 4 (19-26), 8 (19-26), 8 (23-26), 2 (23-26)  a partir do EEB e subfrações 1 (163-171), 3 (11-20), 2 (1-10) e 4 (1-10) a partir do EMB. A caracterização fitoquímica do EEB evidenciou a presença significativa de alcaloides, antocianinas, cumarinas, derivados antracenicos, monoterpeno, sesquiterpeno, diterpeno, triterpeno e esteroides, no EMB foram mais evidenciados alcaloides, compostos fenólicos, lignanas e xantinas. No teste de toxicidade, foi possível observar que o EEB  apresentou uma CL50 acima de 1000 μg/mL, com poucas morte da espécie no período de 24 horas e sem grande significância.  Até o momento apenas uma das estruturas foi elucidada, assim, a análise dos espectros de RMN da subfração 6 (23-26), juntamente com dados da literatura, permitiram a caracterização de dois esteroides, o β-sitosterol e estigmasterol. Foram observados os sinais característicos das substâncias em δH 5,3 referente ao H-6, δH 3,5 referente ao H-3, δC 71,9 atribuído aos carbonos carbinólicos C-3, 140,9 e δC 121,9 atribuídos aos carbonos olefínicos C-5 e C-6, também foi possível observar a presença de sinais referentes a carbonos olefínicos do estigmasterol, δC 138,5 atribuído ao C-22 e δC 129,3 atribuído ao C-23, indicando ser uma mistura. O estudo contribuiu para o conhecimento dos constituintes químicos e da toxicidade da espécie que será continuado para maior conhecimento químico e biológico da  C. sativa.

Palavras-chave


Cannabis sativa; RMN; Fitoquímica