Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Análise de tamanho corporal de Mawsoniidae (Sarcopterygii: Actinistia) a partir de fragmentos fósseis da Formação Aliança, Bacia Jatobá (Jurássico Superior): inferências paleoecológicas para a reconstrução de ambientes deposicionais pretéritos
Larissa de Souza Ribeiro, Marco Aurélio Gallo de França

Última alteração: 2019-11-07

Resumo


Dentre os grupos de peixes presentes na Formação Aliança (Bacia do Jatobá, Jurássico Superior), encontra-se a família Mawsoniidae, caracterizada por ser uma linhagem extinta de celacantos sarcopterígios que viviam em diferentes ambientes durante o Mesozoico, mais especificamente do Triássico Superior até o final do Cretáceo. O gênero Mawsonia possui oito espécies que são conhecidas pelo seu grande porte, podendo atingir até 6,5 m de comprimento. Tanto Mawsonia como Axelrodichthys possuem distribuição na América do Sul e apesar de fósseis destes táxons não serem raros, existe uma carência de dados morfométricos sobre eles na literatura. Deste modo, o objetivo dessa pesquisa foi inferir o tamanho dos táxons de Mawsoniidae, baseado em fragmentos cranianos frequentemente preservados, como quadrado e dentário que foram coletados no município de Ibimirim/PE. Adicionalmente esse estudo visa auxiliar na compreensão dos aspectos paleoautoecológicos desses táxons e os comparar com o sistema deposicional considerado na literatura para a Formação Aliança. Buscando estabelecer a proporção entre os fragmentos cranianos e o tamanho corporal dos táxons de Mawsoniidae, foi realizada previamente uma busca bibliográfica por indivíduos completos de Mawsonia e Axelrodichthys com ênfase no quadrado e dentário. Posteriormente foi realizada a medição dos ossos de Mawsoniidae coletados na região de Ibimirim e por fim utilizou-se índices estatísticos para calcular as dimensões corpóreas dos espécimes estudados. O motivo de usar especificamente o quadrado e o dentário se dá pelo fato de serem ossos mais robustos e bem ossificados do crânio, resultando em melhores preservações. Os resultados obtidos possibilitaram a inferência do comprimento dos espécimes, que apresentavam tamanhos entre 23 cm à 2,4 metros, aproximadamente. O maior crânio inferido nesse estudo possui o total de 64,54 cm, e pertence a um espécime cujo tamanho total foi o maior inferido neste trabalho, medindo 2,4 m de comprimento. Dois espécimes apresentaram a medida do quadrado com cerca de 2 cm de comprimento, se aproximando do quadrado registrado em M. minor. O menor espécime aqui registrado mede 23 cm de comprimento, possui um dentário com 1,4 cm e um crânio com 6,81 cm, sendo possível perceber a grande variação proporcional desse táxon. Do ponto de vista deposicional, a análise dos sedimentos da Formação Aliança indica que o sistema no qual estes organismos viviam era um lago que passava por episódios de cheias e secas restritas. Os dados aqui apresentados apontam que os Mawsoniidae apresentavam uma elevada amplitude corpórea, fato que pode ser explicado por diferenças específicas, ontogenéticas ou possíveis reflexos ecológicos. Adicionalmente, os resultados também mostraram que os espécimes encontrados são proporcionalmente maiores, quando comparados aos já registrados na literatura, sendo reflexo de um hábitat complexo que provavelmente existiu no Nordeste brasileiro durante o Jurássico Superior, este ambiente consistia em um lago profundo, capaz de suportar uma paleoictiofauna de diferentes dimensões corpóreas, como os registrados nessa pesquisa, bem como suas diferentes necessidades ecológicas.

 


Palavras-chave


Mawsonia; Jurássico; Morfometria; Mesozoico; Mawsoniidae;