Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Efeito do espaçamento e densidade de plantas na incidência de podridão cinzenta do caule em feijoeiro comum
Bruna Parente de Carvalho Pires, Kethelen Gabryelli Sousa Viana, Jerônimo Constantino Borel

Última alteração: 2019-11-11

Resumo


Existem vários fatores que influenciam a produtividade de grãos do feijoeiro comum tais como espaçamento, densidade, utilização de insumos e também aspectos fitossanitários. Na região semiárida, além da escassez de chuvas destaca-se a ocorrência de podridão cinzenta do caule. A doença é causada pelo fungo Macrophomina phaseolina. As perdas devido à doença em feijoeiro comum podem chegar a 100% em condições favoráveis. O patógeno é habitante do solo e tem sua ocorrência favorecida em regiões de temperatura elevada e baixa umidade. Não há relatos de linhagens com resistência completa à doença, o que torna seu manejo dificultado. Especula-se que algumas práticas de manejo possam interferir na incidência e severidade da doença, facilitando seu controle. Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo avaliar a influencia da densidade de semeadura e espaçamento na incidência da doença, na duração do ciclo e na população final da cultura. O experimento foi conduzido em condições de campo, na área experimental do setor de produção vegetal do Campus de Ciências Agrárias da Univasf em Petrolina-PE. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizado com quatro repetições no esquema de parcelas sub-subdivididas. O efeito das parcelas foi composto por dois espaçamentos (0,25m e 0,5m), o efeito de subparcela foi constituído por duas densidades de semeadura (5 e 10 plantas por metro de sulco), enquanto que o efeito da sub-subparcela foi composto por quatro genótipos (Jalo Precoce, BGF3, BRS Notável, BGF6). A unidade experimental foi composta de cinco linhas de dois metros. A irrigação foi feita por aspersão convencional de forma a simular ocorrência de estresse hídrico moderado na lavoura e os demais tratos culturais seguiram recomendação para a cultura. Avaliou-se o número de dias para o florescimento (DPF), a população final e a porcentagem de plantas doentes (incidência). A ocorrência de elevadas temperaturas associadas à baixa umidade do solo contribuíram para a alta incidência de M. phaseolina. O espaçamento influenciou diretamente o número de DPF, entretanto não houve efeito na ocorrência da doença e na população final. O menor espaçamento contribuiu para um ciclo mais curto das plantas. A densidade de semeadura não apresentou efeito significativo para nenhum dos parâmetros. O efeito de genótipos foi significativo apenas para o parâmetro DPF, mas não influenciou na população final e incidência da doença. As linhagens Jalo Precoce, BGF 6 e BRS Notável  apresentaram o menor ciclo, enquanto que BGF3 foi mais tardia. Todas as linhagens apresentaram alta incidência da doença, mostrando-se suscetíveis. Conclui-se que a população final e a incidência de M. phaseolina não são influenciados pelo espaçamento e densidade de semeadura. Portanto não são práticas culturais que auxiliam no manejo da doença. Outras estratégias como aplicação de fungicidas, manejo da irrigação e busca de genótipos resistentes devem ser priorizadas.

Palavras-chave


estresse abiótico; fitotecnia; Macrophomina phaseolina; melhoramento de plantas; Phaseolus vulgares L.