Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Caracterização do perfil clínico-epidemiológico da mortalidade por neoplasia maligna em trabalhadores rurais na região do vale São Francisco – 2007 a 2017
Albertino José Ferreira Neto, Luiza Taciana Rodrigues de Moura, Cheila Nataly Galindo Bedor

Última alteração: 2019-11-12

Resumo


A agricultura envolve uma variedade de riscos ocupacionais, sendo o trabalhador agrícola alvo de estudos que buscam determinar associações entre sua ocupação e o efeito dessa, em sua saúde. Nessa perspectiva o objetivo desse estudo foi descrever o perfil clínico-epidemiológico da mortalidade por neoplasia maligna em trabalhadores rurais da região do submédio São Francisco de 2007 a 2017. Para tanto foi avaliada a prevalência da mortalidade segundo variáveis relacionadas à causa básica da morte, município de residência, idade e sexo, identificando os tipos de neoplasias malignas mais frequentes. Trata-se de um estudo descritivo com abordagem quantitativa a partir de dados secundários, realizado nos municípios de Juazeiro-BA e Petrolina-PE, localizados no submédio do Vale do São Francisco. A população-alvo foi composta pelos óbitos de trabalhadores rurais residentes nos dois municípios ocorridos entre 2007 a 2017. As informações das declarações de óbitos (D.O’s) foram coletadas nos setores de vigilância em mortalidade dos municípios. Foram elegíveis 728 D.O’s sendo 387 coletadas em Petrolina-PE e 341 em Juazeiro–BA. A taxa de mortalidade ajustada por 100 mil habitantes rurais de 2007 a 2017 foi 650,37 (n=728), sendo crescente ao longo dos anos, variando de 17,87 (n=20) em 2007 a 74,15 (n=83) em 2017. A maioria dos óbitos, 60% (n=435) ocorreu no sexo masculino. Em 2013 houve o maior número de óbitos (n=83) e taxa de mortalidade (78,62 mortes por 100 mil habitantes rurais). Durante esses 11 anos a população idosa foi a mais acometida (n=445, 61,1%) semelhante ao esperado para mortalidade por neoplasias malignas na população geral brasileira (utilizada como referência nesse estudo), porém, entre a população mais jovem a mortalidade foi superior a essa referência. No geral foram identificados entre os óbitos 95 tipos de câncer sendo por ordem decrescente os principais: próstata (12,91%, n=94), pulmão (11,68%, n=85), estômago (7,83%, n=57), esôfago (5,36%, n=39), sistema nervoso central (5,21%, n=38), colo de útero (4,81%, n=35), mama (4,81%, n=35) e leucemias (4,67%, n=34). Quando comparada com a taxa de mortalidade esperada para a população geral brasileira, os trabalhadores rurais do submédio do São Francisco possuíram maior mortalidade por neoplasias de próstata, estômago, esôfago, sistema nervoso central e leucemias. Entre o sexo masculino o câncer de próstata causou mais óbitos 21,61% (n=94) seguido por pulmão 12,64% (n=55) e estômago 9,43% (n=41), sendo essas proporções com exceção de pulmão, maiores que as da população de referência. Para o sexo feminino os cânceres de mama e colo de útero foram aqueles que mais causaram óbitos 11,94% (n=35) cada, seguido por pulmão 10,24% (n=30), com exceção de mama e pulmão a mortalidade foi maior que a esperada para população brasileira. Para a maioria das neoplasias descritas nesse estudo, a literatura refere a exposição ocupacional a diversos compostos químicos, entre eles os agrotóxicos, como fatores de risco para seus desenvolvimentos. São necessários mais estudos que levem em consideração outras variáveis como consumo de álcool e/ou tabaco, dieta, contato ocupacional com substâncias químicas principalmente os agrotóxicos, para melhor compreensão das causas para elevadas proporções de óbitos por neoplasias específicas nessa região.


Palavras-chave


Agroquímicos; Riscos Ocupacionais; Saúde da População Rural.