Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Musealização da Arqueologia em perspectiva regional: documentos, coleções e sujeitos
Larissa Campos Pereira, Leandro Elias Canaan Mageste

Última alteração: 2019-11-11

Resumo


Nas décadas finais do século XX deu-se o crescimento da preocupação com o papel da arqueologia e das (os) arqueólogas (os) na construção de um passado. A (re)aproximação da teoria arqueológica com as ciências sociais impôs novas percepções às(os) cientistas que precisaram entender o impacto de suas interpretações na forma como enxergamos nosso passado. A arqueologia social latino-americana (BENAVIDES, 2011) contribui com a percepção de que além do próprio processo colonial precisamos estar atentas (os) às interpretações coloniais que foram feitas desde os primeiros momentos de constituição do campo arqueológico, precisamos nos entender enquanto agentes que podem contribuir para evidenciar e modificar a perspectiva colonial ou podemos acentua-la. Assim, para entender o discurso que é formado precisamos saber se a materialidade escavada, seja na academia ou no âmbito da Arqueologia Preventiva, chega às populações que pertencem aos lugares em que elas se encontram. Logo, a presente pesquisa tem o objetivo de compreender como vem sendo executada aMusealização da Arqueologia no Estado do Piauí, através das perspectivas da estratigrafia do abandono - a não incorporação de materiais arqueológicos na construção do discurso nacional - proposta por Bruno (1999), aliada ao paradigma indiciário exposto por Ginzburg (2001). Entendemos que a musealização se configura como estratégia fundamental para aquilo que deve ser o objetivo maior, não só da Arqueologia, mas da ciência em geral: a comunicação e sua construção junto ao público. No intuito de fazer uma reflexão inicial, propusemos o mapeamento das coleções arqueológicas presentes em instituições de guarda da região. Nessa primeira etapa, foi possível identificar seis instituições que receberam coleções arqueológicas oriundas de trabalhos acadêmicos e da Arqueologia Preventiva, sendo elas a Fundação Museu doHomem Americano - FUNDHAM, a Universidade Federal do Vale do São Francisco, localizadas em São Raimundo Nonato; o Museu de Arqueologia e Paleontologia e o Núcleo de Antropologia e Pré-história, ambos pertencentes à Universidade Federal do Estado do Piauí – UFPI, o Museu Dom Avelar Brandão Vilela, pertencente a Fundação Cultural Cristo Rei, localizados em Teresina e o Museu Ozildo Albano, localizado na cidade de Picos. A partir da análise da construção histórica dessas instituições e da integração, ora convergente ora dissidente, entre a arqueologia e a museologia, buscamos no âmbito teórico entender a formação das instituições para assim evidenciar como foram construídas as narrativas que recaem sobre o patrimônio arqueológico. Tendo em vista o contexto geral, procuramos através de visitas, análise de mídias digitais e documentos entender as particularidades da articulação entre objetos ou coleções arqueológicas e a construção de narrativas nas instituições supracitadas, gerando elementos para refletir a respeito das relações entre sociedade e contextos arqueológicos em âmbito institucional.

Palavras-chave


memória; pertencimento; coleções arqueológicas; musealização da arqueologia; Piauí.