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EFEITO DO TREINAMENTO MUSCULAR INSPIRATÓRIO PRECOCE EM PACIENTES SUBMETIDOS À VENTILAÇÃO MECÂNICA: UM ENSAIO CLÍNICO ALEATORIZADO
Franciele Borges de Oliveira, Fabrício Olinda de Souza Mesquita, Jéssica Medeiros, Paula Oliveira, Hálisson Ribeiro, Thaís Maia, Nelson Carvalho, Rodrigo Gustavo da Silva Carvalho

Última alteração: 2019-10-30

Resumo


A ventilação mecânica (VM) constitui um dos recursos terapêuticos frequentemente utilizados para garantir a função pulmonar adequada em pacientes críticos na Unidade de Terapia Intensiva. Apesar dos seus benefícios, a longa permanência da VM pode induzir a diversas complicações, dentre elas a fraqueza muscular respiratória, a qual, tem sido relacionada ao atraso e falha do desmame ventilatório, resultando em maior tempo de internação e aumento dos custos hospitalares. Diante disso, vários recursos e protocolos de treinamento muscular inspiratório (TMI) vem sendo utilizados com o intuito de fortalecer a musculatura respiratória, porém existem poucos estudos controlados que abordem os efeitos de um protocolo de TMI precoce em pacientes críticos. Perante esta realidade, são necessárias analises mais criteriosas que possam elucidar a repercussão do TMI na melhora da força muscular respiratória, tais como a pressão inspiratória máxima (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx). Assim, essa pesquisa teve por objetivo avaliar o efeito do TMI em pacientes submetidos a VM sobre a PImáx e PEmáx. O estudo trata-se de um ensaio clínico controlado aleatorizado, realizado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário da UNIVASF. Foram incluídos indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, submetidos à VM, sem sedação, hemodinamicamente estáveis. Os pacientes foram aleatorizados em dois grupos, treinamento (GT) e controle (GC). Foram avaliadas as pressões inspiratórias (PImáx) e expiratórias (PEmáx). O GT realizou o TMI (3 séries de 10 incursões, com intervalo de 1 minuto entre as séries), 2 vezes ao dia, por meio do equipamento Powerbreath® (modelo Medic, Reino Unido), com a carga ajustada diariamente em 50% da PImáx. O GC recebeu o atendimento fisioterapêutico de rotina da UTI.  A amostra foi composta por 25 pacientes aleatoriamente alocados em GT (n=12), e GC (13). A PImáx (cmH2O) em média e desvio padrão para o GT no pré (-50,83; DP: 22,24) e no pós (-55,90; DP: 11,36) e para GC no pré (-46,25; DP: 14,63) e no pós (-65,62; DP: 16,13), a diferença média entre os grupos foi de 9,71 (IC 95%: -22,9; 3,5; P=0,141).  A PEmáx (cmH2O) em média e desvio padrão para o GT no pré (44,58; DP: 28,48) e no pós (47,72; DP: 17,93) e para GC no pré (33,33; DP: 12,85) e no pós (49,37; DP: 12,65), a diferença média entre os grupos foi de 1,64 (IC 95%: -14,01; 17,31; P=0,827). Conclui-se que o TMI não foi eficaz para promover o aumento da força muscular respiratória (PImáx e PEmáx), em pacientes sob ventilação mecânica. Estes resultados sugerem que os efeitos do TMI, talvez dependam de fatores como características e condições clínicas do paciente.

 

 

 


Palavras-chave


Exercícios Respiratórios; Músculos Respiratórios; Respiração Artificial; Desmame Respiratório; Unidade de Terapia Intensiva