Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS PACIENTES PORTADORES DE DOENÇA RENAL CRÔNICA DE PAULO AFONSO/BA EM TESTES DE ALFABETIZAÇÃO FUNCIONAL NA ÁREA DE SAÚDE
Eduardo Antonio Sartori Alho, Luana Resende Cangussú, Anekécia Lauro da Silva, Diogo Vilar da Fonsêca, Adirlene Pontes de Oliveira Tenorio, Matheus Rodrigues Lopes

Última alteração: 2019-11-08

Resumo


As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são um conjunto de doenças de caráter duradouro e muitas vezes silencioso que resultam de uma combinação de fatores genéticos, ambientais, fisiológicos e comportamentais. A doença renal crônica (DRC) apresenta destaque nesse cenário com elevação da sua incidência e prevalência a cada ano. A DRC caracteriza-se pelo progressivo agravamento do quadro clínico do paciente, pela necessidade de mudança de hábitos e estilos de vida e pelos altos custos de seu tratamento. Além disso, esta doença exige do paciente a manipulação diária de medicações, a adoção de medidas voltadas ao autocuidado e o entendimento constante de diversas informações médicas, tornando o domínio adequado do letramento em saúde (LS) peça fundamental para que os pacientes recebam, processem e apliquem de modo efetivo as instruções que são a eles transmitidas nos serviços de saúde. O objetivo do trabalho foi avaliar o nível de letramento em saúde dos pacientes portadores de doença renal crônica no município de Paulo Afonso/BA. Trata-se de um estudo quantitativo observacional analítico transversal com 92 pacientes renais crônicos de ambos os sexos, no período de novembro de 2018 a junho de 2019. A pesquisa foi realizada através da aplicação dos questionários sociodemográfico, classificação econômica, Short Assessment of Health Literacy for Portuguese-speaking Adults (SAHLPA-18) e Short Test of Functional Health Literacy in Adults (S-TOFHLA). A maioria dos pacientes foi do sexo masculino (55,43%), na faixa etária média entre 40 e 60 anos (53,26%), com nível educacional fundamental (55,43%) e das classes econômicas C, D e E (79,34%). Prevaleceu o relato do tratamento da DRC por meio do atendimento ambulatorial e dialítico (88,04%), custeado unicamente pelo SUS (72,83%), com um tempo médio entre 5 e 10 anos (26,09%). Por meio do S-TOFHLA, a mensuração do nível de letramento em saúde demonstrou que 65,22% possuíam um nível inadequado de domínio das habilidades numérica e de leitura sobre informações em saúde. Já através do teste SAHLPA-18, 77,17% dos pacientes apresentaram um grau de letramento em saúde inadequado referente às competências da pronúncia e da compreensão termos médicos populares. Por intermédio da análise dos dados ficou demonstrado que um menor grau de escolaridade (P<0,02), classe econômica mais baixa (P=0,02; r=0,24), uma idade mais elevada (P<0,0001; r=-0,52) estão vinculados a um pior nível de letramento em saúde. Por fim, comparando os resultados do nível de letramento em saúde nos dois instrumentos de verificação utilizados neste trabalho, observou-se uma forte correlação dos resultados entre eles (P<0,0001; r=-0,56).  Portanto, frente aos dados apresentados pode-se concluir que os altos índices de pacientes renais crônicos com níveis de letramento em saúde classificados como inadequado revelam um cenário crítico que dificulta o autogerenciamento da doença, a compreensão da necessidade de alterações dos hábitos e estilo de vida, bem como o estabelecimento de medidas preventivas visando impedir uma evolução prematura da DRC e o agravamento das comorbidades existentes. Assim, a avaliação do LS deve ser uma rotina estabelecida dentro de cada serviço para melhoria da compreensão das informações transmitidas aos pacientes.


Palavras-chave


Alfabetização funcional; Doenças crônicas não transmissíveis; Letramento em saúde; Letramento; Doença renal crônica