Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Estrutura e diversidade da flora lenhosa do extremo norte da Chapada Diamantina
Bárbara Alves de Oliveira Lima, Priscyla Maria Silva Rodrigues, Jhonathan de Oliveira Silva, Airton De Deus Cysneiros Cavalcanti, Beatriz Hanna dos Santos Oliveira, Eliene Anísia da Gama Silva

Última alteração: 2019-11-12

Resumo


O conhecimento a respeito da diversidade e estrutura das comunidades arbustivo-arbóreas é de suma importância para conservação da vegetação tropical, bem como também para seu manejo, sobretudo em áreas de transição. O extremo norte da Chapada Diamantina se destaca nesse contexto, visto que está inserido no bioma caatinga, apresentando um mosaico vegetacional formado por caatinga, cerrado, campo rupestre e floresta semidecidual. O objetivo geral deste estudo foi avaliar as características estruturais e a diversidade de duas formações vegetacionais, campo rupestre e floresta estacional semidecidual montana, no Parque Estadual das Sete Passagens (PESP). O PESP está localizado no município de Miguel Calmon, Bahia, na Chapada Diamantina Norte. Para a amostragem da vegetação foram alocadas aleatoriamente seis (6) parcelas permanentes de 20 x 20 (400 m2), sendo três (3) em cada formação vegetacional. Nas parcelas, foram mensurados todos os indivíduos arbustivo-arbóreos com diâmetro a altura do solo (DAS = 0,30 m) ≥ 10 cm, sendo registrada a altura, marcados com plaquetas de alumínio, e coleta do material botânico (reprodutivo e/ou vegetativo). Os indivíduos foram classificados com base na APG IV. Os parâmetros fitossociológicos e de diversidade da vegetação foram realizadas com auxilio do programa FITOPAC versão 2.1. No total, 547 indivíduos foram amostrados, distribuídos em 28 famílias botânicas e 63 espécies. O campo rupestre apresentou 137 indivíduos, 12 famílias botânicas e 17 espécies, enquanto a floresta estacional semidecidual obteve 410 indivíduos, distribuídos em 16 famílias botânicas e 46 espécies. A estrutura e diversidade diferiram fortemente entre as formações vegetacionais, apresentando singularidade florística. Para a floresta estacional a diversidade foi 3,03 (H'), Equabilidade 0,792 (J'), Índice de Dominância de Simpson 0,072 (C) e área basal total equivalente a 48,05 m2ha-1, enquanto para o campo rupestre os valores para diversidade foi 2,21 (H'), Equabilidade 0,782 (J'), Índice de Dominância de Simpson 0,137(C) e área basal total 5,53 m2ha-1. De acordo com a literatura os valores apresentados indicam alta diversidade para formação florestal, pois, a baixa diversidade em formação aberta é resultado da ausência de espécies herbáceas na análise dos parâmetros fitossociológicos.  A abordagem aplicada apresenta enfoque somente em espécies arbustivo-arbóreas, as quais se encontram presente em superior quantidade em ambiente de floresta semidecidual, as quais têm condições propícias para o desenvolvimento desta vegetação. Ambientes como campo rupestre apresentam grande diversidade de herbáceas, desde que é um habitat típico para este tipo de espécie presente. A dominância absoluta (DoA) para floresta estacional foi 400,46, sendo superior a encontrada no campo rupestre,  com valor igual a 46,13. Vochysia thyrsoidea Pohl foi a espécie mais abundante (27 indivíduos) no campo rupestre, apresentando também maior valor de importância (VI). A espécie mais abundante para a floresta estacional foi Psidium guianeensis Sw. (76 indivíduos), consequentemente tendo a densidade relativa (DR) como padrão que se destaca para atribuição do maior valor de importância (VI). Considerando a singularidade das áreas amostradas, pode-se indicar que as comunidades vegetais estudadas, mesmo situadas em uma distância geográfica relativamente pequena, apresentam florística e estrutura diferenciada, influenciadas pela heterogeneidade ambiental existente na região.

Palavras-chave


Fitossociologia, florística, heterogeneidade ambiental