Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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ANÁLISE DE CONSANGUINIDADE E INCIDÊNCIA DE DEFICIÊNCIAS CAUSADAS POR DOENÇAS GENÉTICAS EM MUNICÍPIOS DO VALE DO SÃO FRANCISCO
Cristian Rodrigues Nascimento, Dyowani dos Santos Basílio, Johnnatas Mikael Lopes, Isaac Farias Cansanção

Última alteração: 2019-11-08

Resumo


A consanguinidade é um fenômeno bastante recorrente nas populações brasileiras, principalmente, no Nordeste. Em decorrência disso, há apontamentos científicos para a correlação direta entre a endogamia e a elevação da prevalência de deficiências por causas genéticas. Objetivou-se analisar a ocorrência de casamentos consanguíneos, obter o coeficiente de endogamia (F), investigar incidência de casamentos consanguíneos e estabelecer a prevalência de deficiências causadas por doenças genéticas nos munícipios do Vale do São Francisco (VSF). Foram selecionadas cinco cidades, sendo três em Alagoas, duas na Bahia e uma em Pernambuco, que estivessem, no máximo, a 100 km de distância de Paulo Afonso-BA e com a população até 20.000 habitantes. A pesquisa foi realizada através da aplicação de questionário estruturado aos casais consanguíneos, realizada pelos Agentes Comunitários de Saúde, que foram previamente instruídos e auxiliados pelos pesquisadores. Os dados foram calculados utilizando software Epi-Info 7.2.2.6 e o SPSS® Statistics 22.0, sendo os valores de p<0,05, considerados significativos. Sendo aprovada pelo CEP/UNIVASF sob o parecer nº 04061318.3.0000.5196. Foram entrevistados 309 casais consanguíneos, sendo que 42,7% eram primos de 1º grau (P1), com predomínio da relação patrilateral, resultando em 32,6% dos casos. Logo após, com 30,3% de relação matrilateral, seguido de 14,9% em primos duplos de 1º grau-primos carnais (PD). Na sequência apareceram com 29,4% primos de 2º grau (P2) e 3,6% em primos de 3º grau (P3). 9,3% dos casais informaram que tinham parentesco, mas não sabiam informar qual o grau de relacionamento (NS). Estes casais tiveram 1059 filhos, sendo uma média de 3,4 filhos/casal. Desse total, 9,7% possuíam algum tipo de deficiência. A partir dos dados obtidos, foi realizado o coeficiente de endogamia (F) de cada cidade. Os municípios alagoanos tiveram um F maior que os outros municípios. Sendo o maior valor de F=0,001882 na cidade de Pariconha-AL e o menor em Santa Brígida-BA, F=0,000593. Percebeu-se que há uma correlação direta entre o valor de F e o número de filhos deficientes, sendo P=0,001. Ao analisar a distribuição dos tipos de deficiências percebe-se que a deficiência física e mental foram as mais prevalentes, 27,6% e 23,3%, respectivamente. Os casais P1 obtiveram 47,7% dos filhos com alguma deficiência, seguido de casais P3 com 36,4%. Quando analisamos a prevalência de filhos deficientes e o grau de parentesco de seus genitores, verificamos que 12,3% são filhos de P1, 11% são filhos de P2, 9,8% são filhos de P3, 7% são filhos de NS, e 6,4 % são filhos de PD. Considerando a distribuição destas deficiências entre P1, a deficiência física foi a mais prevalente, seguida de deficiência mental.  Entretanto, em P3 a deficiência visual foi a mais prevalente, seguido da física (NS). Ainda, a razão entre o quantitativo de deficiências e número de filhos deficientes foi de 1,045, revelando que alguns dos descendentes possuem mais de uma deficiência em concomitância.  O pioneirismo dessa pesquisa na região se mostrou promissora para a identificação e caracterização da endogamia e sua relação com doenças genéticas, visto o elevado número de casamentos consanguíneos no Sertão nordestino.


Palavras-chave


Consanguinidade; Doenças Genéticas; Endogamia; Distúrbios. Deficiências.