Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

Tamanho da fonte: 
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTICONVULSIVANTE E ANTINOCICEPTIVA DO ÁLCOOL PIPERONÍLICO EM CAMUNDONGOS
Caroline Guimarães da Fonseca Chieco, Pedro Antônio Almeida Aguiar, Rodrigo José de Sousa Gonçalves, Juliana Sousa Rocha, Anekecia Lauro Da Silva, Matheus Rodrigues Lopes, David Fernandes Lima, Diogo Vilar Da Fonseca

Última alteração: 2019-11-07

Resumo


A epilepsia e a dor são duas condições que afetam milhões de pessoas em todo o mundo e resultam em diversas consequências sociais, comportamentais, de saúde e econômicas para os pacientes e suas famílias. Sabe-se que tanto o tratamento da epilepsia com agentes anticonvulsivantes, bem como o da dor com analgésicos narcóticos (opioides), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e gabapentinoides, mostram-se como um grande desafio na terapêutica, devido a seus numerosos efeitos adversos. Assim, torna-se totalmente desejável uma melhor pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento dessas condições. Uma alternativa para o manejo destas são os óleos essenciais, reconhecidos pelo seu valor medicinal desde a antiguidade. O álcool piperonílico, um constituinte dos óleos essenciais, é um composto aromático que ocorre naturalmente em várias espécies de plantas e tem sido amplamente utilizado como ingrediente aromatizante nas indústrias de confeitaria, bebidas, panificação e cosméticos. Além disso, há diversas evidências de sua atividade farmacológica, demonstrada por propriedades antibacterianas e ansiolíticas, no entanto, até o momento nenhuma outra atividade foi relatada. Dessa forma, o presente trabalho tem o objetivo avaliar a atividade anticonvulsivante e antinociceptiva do álcool piperonílico em modelos experimentais de convulsão e dor. Para isso, os testes farmacológicos foram submetidos à análise e aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) da UNIVASF, sob número 0001/240818. Os experimentos foram realizados no laboratório de farmacologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Campus Petrolina – PE, utilizando camundongos Swiss machos, com três meses de vida, pesando entre 25-35 g. A atividade anticonvulsivante foi investigada por meio do teste das convulsões induzidas pelo pentilenotetrazol e a atividade antinociceptiva por modelos de nocicepção química, como o teste das contorções abdominais induzidas pelo ácido acético, o teste da dor orofacial induzida pela formalina e o teste da dor orofacial induzida pelo glutamato. No teste das convulsões induzidas pelo pentilenotetrazol, o piperonal não foi capaz de aumentar o tempo de latência para as convulsões em relação ao grupo controle.  Na avaliação de sua atividade antinociceptiva, o piperonal reduziu significativamente o número de contorções abdominais induzidas pelo ácido acético nas três doses utilizadas (50, 75 e 100 mg/kg); inibiu significativamente as duas fases do teste da formalina nas doses de 75 e 100 mg/kg; e reduziu a resposta nociceptiva no teste do glutamato também nas doses de 75 e 100 mg/kg. Diante dos resultados obtidos, concluímos que o piperonal não apresenta propriedades anticonvulsivantes, porém o potencial não-clínico antinociceptivo é evidente, possivelmente a partir de mecanismos centrais e envolvimento do sistema glutamatérgico. Mais investigações, portanto, são necessárias para melhor caracterizar os mecanismos de antinocicepção envolvidos.


Palavras-chave


Antinocicepção; Anticonvulsivos; Dor; Óleos essenciais