Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Ecologia parasitária do lagarto Ameivula ocellifera (Teiidae) no ecossistema Caatinga
João Modesto Neto, Antonio Carlos Santos Ferreira, Jayelen Alves Ferreira, Fabiano Matos Vieira, Daniele Rayssa Cavalcanti de Sá, Diego César Nunes da Silva, Leonardo Barros Ribeiro

Última alteração: 2019-11-12

Resumo


Os parasitos representam um dos maiores componentes da biodiversidade global e desempenham importantes funções ecológicas na dinâmica de populações de animais silvestres. Os lagartos são hospedeiros de uma vasta gama de helmintos, podendo ser parasitados via ingestão de presas infectadas, por coprofagia, geofagia, ou pela penetração ativa das larvas infectantes. Dessa maneira, a infecção por helmintos tem uma conexão direta com a dieta, modo de forrageamento e exploração do habitat pelo lagarto. Ameivula ocellifera (Spix, 1825) é um lagarto de ampla distribuição na Caatinga, ocorrendo em áreas abertas e antropizadas. Considerado forrageador ativo, com dieta não seletiva. Estes aspectos tornam-se as principais vias de infecção parasitária. Dessa forma, o conhecimento da interação parasito-hospedeiro e dos fatores capazes de interferir nessa relação, como os fatores abióticos e bióticos de uma região, fornecem subsídios para o entendimento da dinâmica de uma comunidade, de sua diversidade biológica e para a conservação. Este estudo objetivou realizar um levantamento da helmintofauna, assim como definir os endoparasitas mais prevalentes, e comparar os parâmetros de intensidade e abundância parasitárias do lagarto A. ocellifera entre três áreas de coleta em Petrolina, Pernambuco. Os lagartos foram coletados (autorizadas pelo IBAMA/SISBIO nº60274-1 e aprovadas pelo Comitê de Ética da UNIVASF nº 0003/260218) através de pitfalls traps em: i) Sítio de fruticultura irrigada do Projeto de Irrigação Senador Nilo Coelho (PN1), ii) Campus Ciências Agrárias da UNIVASF (CCA) e iii) 72º Batalhão de Infantaria Motorizado (BTL). No Laboratório de Parasitologia (CCA/UNIVASF), os lagartos foram eutanasiados, dissecados e examinados, sob estereomicroscópio, na busca por endoparasitos na cavidade corpórea, pulmões, fígado, vesícula biliar e trato gastrointestinal. Em seguida, fixados em formol 10%, preservados em etanol 70% e depositados na Coleção Herpetológica do CEMAFAUNA. Os endoparasitos foram fixados e montados em lâminas através da técnica de coloração por Carmalúmem de Mayer (Platyhelminthes e Trematoda) e pela técnica de clarificação em Lactofenol de Amann (Nematoda), posteriormente, analisados em microscópio para observação das estruturas taxonômicas para a identificação. A prevalência, intensidade e abundância médias de parasitos foram calculadas e para comparação entre as áreas utilizou-se uma regressão linear generalizada. Dos 202 lagartos coletados (PN1: 70, CCA: 69, BTL: 63), encontraram-se nematoides no intestino grosso: Parapharyngodon sp., Pharyngodon sp. e no estômago: Physaloptera sp.; Cestoda no intestino delgado: Oochoristica sp. e Trematoda na vesícula biliar. A prevalência geral para A. ocellifera foi de 41,38%; intensidade média de 20,54±27,48 e abundância média de helmintos em 8,54±20,41, sendo Pharyngodon sp. a espécie mais prevalente (P: 32,51%). Em relação às áreas analisadas, CCA foi a que obteve maior prevalência e abundância de helmintos (P: 50,72% e AM: 11,38±25,13). A intensidade diferiu entre as áreas, sendo a área PN1 (z= -4.203, p<0,001) a que apresentou menor abundância e intensidade helmintos em relação a CCA e BTL. Em suma, a composição de helmintos associados a A. ocellifera foi constituída por espécies generalistas, sendo o nematoide Pharyngodon sp. o mais prevalente na população da área CCA, indicando que pode estar atuando na estrutura e dinâmica da população desse hospedeiro.



Palavras-chave


helmintos; Cestoda; Nematoda; Trematoda; semiárido.