Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Consequências do trabalho noturno no ciclo circadiano
Bruna Del Vechio Koike, Carlos Alberto de Carvalho Fraga, Alan Aragão de Araújo Santos, Alane Mota dos Santos, João Pedro do Nascimento Cerqueira, Lucas Braga dos Santos, Marcus Vinicius Solano Ferreira de Souza, Randson Ranilson Modesto Feitosa, Túlio Nunes Bnonviccini de Souza

Última alteração: 2019-11-12

Resumo


Na sociedade contemporânea, na qual são desenvolvidas atividades ininterruptas 24 horas por dia, parte significativa da população sofre com danos à saúde decorrentes da privação de sono. Com a dessincronização interna dos ritmos biológicos, há a predisposição ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e mentais. Os trabalhadores noturnos, por sua vez, estão expostos a mudanças frequentes do ciclo de atividade-repouso, o que proporciona maior probabilidade de desenvolver estes transtornos. O objetivo deste estudo é avaliar o ritmo dos trabalhadores noturnos e identificar potenciais marcadores genéticos para o desenvolvimento do câncer a fim de antecipar o prognóstico desta doença. Medimos o ritmo de repouso, temperatura e exposição a luz por actimetria e o sono pela polissonografia, além da coleta seriada de sangue para avaliar o ritmo da expressão dos genes relógio e do ciclo celular. Como resultado, percebemos que o sono é fragmentado, assim como o ciclo de atividade-repouso. A avaliação comportamental revelou que os trabalhadores diurnos apresentam um ritmo de atividade-repouso sincronizado, pois o ângulo de fase permanece constante  entre os dias de folga e os dias de trabalho, entretanto, nos trabalhadores noturnos não é verificada essa estabilidade interdiária, visto que o ângulo de fase entre os dias de folga e os dias de trabalho apresenta uma variação bastante significativa. Os grupos também diferem quanto ao ritmo de temperatura; também foram demonstradas mudanças na arquitetura do sono. Trabalhadores diurnos têm atividade sincronizada com exposição à luz e os trabalhadores noturnos são expostos a luz tanto na hora de atividade como na de repouso que é durante o dia. Além disso, os trabalhadores noturnos dormem em noites alternadas em que, muitas vezes, a temperatura acompanha o ritmo de atividade, o que faz com que as enzimas e as variantes fisiológicas acabem funcionando em um horário diferente do que seria se eles estivessem sincronizados. Ademais, trabalhadores noturnos passam mais tempo no estágio N3 (sono profundo), ou seja, passam mais tempo em sono profundo quando comparados aos valores de referência, maior número de despertares e diminuídas as fases REM (Rapid Eye Movement) e N2 (sono superficial). Além disso, se mostrou alterada a expressão de genes em trabalhadores noturnos cuja curva de expressão comporta-se semelhantemente a de pacientes com câncer. Concluímos que os trabalhadores noturnos se encontram com desalinhamento circadiano interno e que o trabalho noturno pode ser um componente direto para o aumento na presença de genes cancerígenos.


Palavras-chave


Shift work; Câncer; Cronobiologia