Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), SCIENTEX-2019

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Efetividade do treinamento muscular inspiratório precoce em pacientes submetidos à ventilação mecânica: ensaio clínico aleatorizado.
Nelson Lindolfo Gurgel Carvalho, Franciele Borges de Oliveira, Rodrigo Gustavo da Silva Carvalho

Última alteração: 2019-11-08

Resumo


Ventilação Mecânica (VM) trata-se do método de suporte ventilatório que auxilia ou substitui a função ventilatória do paciente com insuficiência respiratória. O uso prolongado da VM desencadeia a diminuição da força muscular respiratória, sobretudo quando associada a relaxantes musculares e doses elevadas de esteroides que podem surgir miopatias. Concomitantemente ocorrem à eliminação ou diminuição da carga imposta ao sistema musculoesquelético durante o imobilismo no leito, tem aumentado o tempo de internação na UTI e com prognóstico ruim. O imobilismo da musculatura respiratória decorrente ao prolongado uso da VM provoca atrofia das fibras musculares. Isto decorre do desequilíbrio entre a síntese proteica e a proteólise, acompanhada pela remodelação do tecido muscular diafragmático. Esta condição inicia-se horas após o uso da VM. O objetivo geral é verificar a efetividade entre a realização do Treinamento Muscular Inspiratório (TMI) precoce versus não realização que é grupo controle (CON) nos pacientes submetidos à VM para melhora dos desfechos: tempo de desmame da  VM (TDVM) e tempo de internação na UTI (TIUTI). Este estudo é um ensaio clínico aleatório, de acordo com o CONSORT-Statement. O estudo foi realizado no período de agosto de 2018 a julho de 2019 e registrado no ClinicalTrials.gov. No GTMI: TMI com o equipamento Powerbreath®, carga inicial de 40% da pressão inspiratória máxima (PImax), três séries de 10 repetições e um minuto de intervalo entre cada série, sete dias por semana, duas vezes por dia, com os pacientes no leito com a angulação de 45°. Os ajustes na carga do TMI ocorreram de acordo com os valores avaliados semanalmente. Se houver necessidade de adição de oxigênio suplementar será realizado junto do TMI. O TMI deverá ser descontinuado se o paciente apresentar dois ou mais sinais de insuficiência respiratória: frequência respiratória superior a 35 incursões por minuto; saturação periférica do oxigênio inferior a 90%; frequência cardíaca superior a 130 bpm; pressão arterial sistólica superior a 180mmHg ou inferior a 90mmHg; sinais e sintomas como agitação, sudorese alteração do nível de consciência e assíncrona toraco-abdominal. O GCON foi submetido à fisioterapia de rotina hospitalar sem a adição de TMI com Powerbreath®. Os sujeitos foram aleatorizados em dois grupos TMI (n = 12) e COM (n = 13). O grupo TMI realizou exercícios respiratórios para fortalecimento da musculatura respiratória, enquanto o grupo CON realizou somente os exercícios de rotina hospitalar, ambos duas vezes por dia até a alta.O TIUTI foi em média e desvio padrão de 13,50 (DP: 4,52) dias para TMI e 11,15 (DP: 5,08) dias para CON, que não houve diferença estatisticamente significativa (Diferença da média: 2,35 dias a menos no CON; P = 0,236).O TDVM foi em média e desvio padrão de 11,83 (DP: 4,72) dias para TMI e 11,61 (DP: 5,45) dias para CON, que não houve diferença estatisticamente significativa (Diferença da média: 0,22 dias a menos no CON; P = 0,916). Conclui-se que TMI não foi eficaz para os desfechos de TDVM e TIUTI, ou seja, não houve diminuição significativa tanto no tempo de desmame quanto na internação dos pacientes.

Palavras-chave


Exercícios Respiratórios; Respiração Artificial; Desmame do Respirador.