Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), 7º Fórum de Mobilização Antimanicomial/4ª Mostra de Atenção Psicossocial - ISBN 978-85-60382-84-2

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O ADOLESCENTE AUTOMUTILADO: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O CUIDADO EM SAÚDE MENTAL NO HU-UNIVASF
Leonardo Majdalani Sacramento e Nascimento, Armida Portela D’Albuquerque Lima, Clara Raqueline Rodrigues, Rebeca Soares Machado Lacerda

Última alteração: 2018-03-18

Resumo


Introdução: A automutilação tem sido discutida pela sociedade, visto o enfoque da mídia acerca da temática. Os estudos sobre o assunto não são unânimes em relação ao conceito de automutilação, porém Giusti (2013) referiu o conceito atual de automutilação como uma agressão autoprovocada, sendo ela arranhões, mordidas e cortes sem a intenção do suicídio. Para Almeida (2010), automutilação é uma forma de lidar com o sofrimento emocional. Giusti (2013) reforçou essa perspectiva descrevendo o relato de pacientes sobre sensações de ansiedade, raiva, tristeza e medo momentos antes desses episódios. Problema: O HU-UNIVASF recebe a demanda de traumatologia, ortopedia e neurologia de 53 municípios da Rede PEBA, contudo em algumas situações os pacientes chegam à unidade com outras questões que vão além da queixa inicial descrita na triagem ou para os profissionais da emergência. A automutilação, normalmente, não é a motivação principal da entrada do paciente no hospital, no entanto, são situações colocadas pelos familiares para equipe de saúde ou chama a atenção dos profissionais pelas marcas na epiderme. Participantes: Psicólogos do HU-UNIVASF. Período de realização: abril de 2017. Abordagem: A temática foi trabalhada a partir do relato de experiência dos Psicólogos hospitalares do HU-UNIVASF. Resultados: A maior parte dos atendimentos são realizados a adolescentes do sexo feminino. É possível observar nos relatos das pacientes a descrição de alívio ao provocarem a lesão na própria pele. A demanda de atendimento a pacientes que apresentam marcas de automutilação é solicitada pela enfermagem ao serviço de psicologia. Após o atendimento, o caso é discutido com o profissional solicitante, assim como os encaminhamentos realizados. Discussão: A incidência do comportamento de automutilação foi mencionada por Brieri e Gil (1998) citado por Giusti (2013), e estes autores notaram em suas pesquisas uma prevalência maior do comportamento de automutilação em adolescentes do sexo feminino, assim como apontado nos estudos de Bernardes (2015). No entanto, Giusti (2013) referiu que os conceitos de automutilação utilizados nas pesquisas acerca do tema não são homogêneos dificultando a determinação da prevalência do gênero. Giusti (2013) e Bernardes (2015) apontaram em suas pesquisas que a descrição de alívio é algo presente no discurso dos adolescentes que praticam o comportamento de automutilação, Garreto (2015) referiu que em 10% dos casos o indivíduo permanece com o padrão comportamental durante a fase adulta. Conclusão: O comportamento em desacordo com as normas sociais normalmente mobiliza a equipe de saúde e a psicologia normalmente é colocada como tradutora de uma realidade “alternativa”. O diálogo com a equipe e comunidade de uma forma geral sobre automutilação se torna pertinente, pois é um assunto que vem sendo veiculado na mídia, portanto é relevante abordar as formas de cuidado possíveis para esse público.

REFERÊNCIAS
Almeida, C. M, & Horta, P. (2010). Autolesão, automutilação e autoagressão. A mesma definição? Espaço

Aberto, News no16. <http://news.fm.ul.pt/Print.aspx?ItemID=1139> Acessado em 07 de maio de 2017.

BERNARDES, S. M, et al. Tornar-se (in) visível: um estudo na rede de atenção psicossocial de adolescentes que se automutilam. 2015. Consultado em, através de: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/135810/335621.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. 07. Acessado em maio de 2017.


Palavras-chave


Automutilação; adolescente; comportamento;