Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), 7º Fórum de Mobilização Antimanicomial/4ª Mostra de Atenção Psicossocial - ISBN 978-85-60382-84-2

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EXPERIÊNCIA DOS RESIDENTES EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: PERFIL DOS USUÁRIOS DE SAÚDE MENTAL
Ana Karla da Silva Freire, José Vicente de Deus Neto, Josicleia Oliveira de Souza, Marcelo Souza Oliveira, Anne Crystie da Silva Miranda

Última alteração: 2017-06-03

Resumo


Eixo temático 4: Saúde mental e atenção básica. Território, matriciamento e acesso

 

Introdução: a atenção em saúde mental na estratégia de saúde da família configura-se hoje uma necessidade considerarmos o processo de Reforma Psiquiátrica e a legitimação da Rede de Atenção Psicossocial – RAPS.  Para um cuidado integral da pessoa, a atenção especializada em saúde mental precisa aproximar-se da atenção básica, com ações de apoio matricial, ampliação de repertórios de cuidado, suporte técnico, desenvolvimento de ações práticas junto com as equipes, entre outros (AZEVEDO; et al, 2014). Problema: elevada quantidade de usuários que fazem uso de uma Unidade Básica de Saúde apenas para renovação de receita, ressaltando o crescimento dessa demanda ao longo dos anos. Participantes: usuários que estão na área de cobertura de uma UBS de Juazeiro-BA. Período de realização: fevereiro a agosto de 2015. Abordagem: os dados foram colhidos durante os acolhimentos realizados pelos residentes de Saúde Mental no dia de renovação de receita controlada na UBS em que os residentes estavam em prática, além de ter havido e realização de pesquisa em prontuários dos pacientes listados para renovação de receita até maio de 2015. Resultados e discussão: foram analisadas 37 pessoas. A faixa etária de 16 a 28 anos houve a maior quantidade de pessoas analisadas (9 pessoas), seguida da faixa etária de 52 a 64 anos (8 pessoas). Em seguida, havia as pessoas que estavam entre 28 a 40 anos (6 pessoas) e em último lugar houve um empate com as faixas entre 40 e 52 anos e entre 64 e 78 anos, sendo em cada uma dessas analisadas apenas 5 pessoas. Percebe-se, com isso, que a faixa etária mais prevalente ficou com as pessoas mais novas, evidenciando um processo de medicalização cada vez mais precoce. Toassa (2012) e Oliveira (2012) explicitam tal ocorrência através da expansão progressiva do campo de intervenção da biomedicina por meio da redefinição de comportamentos humanos e experiências como se fossem problemas relacionados à medicina. Mais do que o uso indiscriminado, essa lógica consiste em fazer com que os indivíduos interpretem problemas como fatos clínicos, apenas. Quanto ao sexo, percebeu-se uma maior prevalência de mulheres (67%) para renovação de receitas. Acerca da questão social envolvida, percebeu-se que os usuários tinham dificuldade em desenvolver relações sociais, tinham vulnerabilidade social e a maioria deles não tinham renda fixa (52,8%). Quanto ao tipo de acompanhamento que faziam, percebeu-se que a maioria não tinha o histórico de internação psiquiátrica (35,71%) e não faziam acompanhamento no CAPS (39,28%). 

Quanto a medicação que mais usam, os ansiolíticos foram a maioria, seguido de Clorpromazina e Fenobarbital. O diagnóstico mais prevalente foi epilepsia e convulsões, seguidos de delírios e alucinações. Conclusão: são necessários novos estudos para se traçar um perfil mais abrangente da população acompanhada com receita controlada de medicação psicotrópica. Entende-se, porém, que os dados aqui contidos podem servir de instrumento de planejamento de ações e práticas no âmbito da saúde mental, visando a integralidade em saúde. Serve ainda como um documento reflexivo, para se pensar as intervenções já adotadas, representando um instrumento importante de avaliação e aperfeiçoamento do cuidado.

Referências:

 

AZEVEDO, D M.; et al. Atenção básica e saúde mental: um diálogo e articulação necessários. Rev. APS. v.17, n.4, 2014.

 

OLIVEIRA, S. M. Os alcances e limites da medicalização: do risco para a psicose: a emergência de uma nova categoria?. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 22, n. 1, 2012.

 

TOASSA, G. Sociedade de tarja preta: uma crítica à medicalização de crianças e adolescentes. Fractal: Revista de Psicologia, v. 24, n. 2, p. 429-434, 2012.

 


Palavras-chave


Saúde Mental; Atenção Primária; Medicalização; Receita