Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), 6º Fórum de Mobilização Antimanicomial/3ª Mostra de Atenção Psicossocial - ISBN 978-85-60382-69-9

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Psicologia e Território: Interfaces entre o cuidado ao sofrimento psíquico e as questões sociais em uma comunidade periférica.
Lusiane Miranda Palma

Última alteração: 2016-06-06

Resumo


Este trabalho consiste em um relato de experiência sobre a atuação como psicóloga num programa de residência na atenção primária à saúde em comunidades marcadas pelo estigma do tráfico de drogas e da violência.

O Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Univasf é um projeto que existe há 10 anos e tem como cenário de prática Unidades de Saúde da Família da cidade de Juazeiro-BA, agregando, na turma da experiência aqui relatada, profissionais da Psicologia, Farmácia e Enfermagem.

A Estratégia de Saúde da Família visa o cuidado territorializado na atenção primária à saúde, através de territórios adstritos e visitas domiciliares. A inserção enquanto psicóloga nesse contexto propiciou uma atuação em possibilidades que vão muito além de uma atenção ambulatorial ou clínica tradicional. Passamos a nos deparar de uma forma muito próxima de questões da comunidade como a violência urbana, a política de “combate as drogas”, as diversas formas de discriminação, dentre outras pautas recorrentes no dia a dia de comunidades com perfis muito específicos como as daqui relatadas, negra, pobre e periférica.

O presente trabalho visa abordar a experiência vivida enquanto Psicóloga negra nesse contexto e os desafios de pensar estratégias de cuidado ao sofrimento psíquico gerado por problemáticas sociais pouco discutidas na saúde, como a do genocídio do povo negro.  O posicionamento enquanto mulher e negra, além de psicóloga surge por acreditar que não há isenção ou neutralidade na atuação profissional e que a óptica pela qual o tema é abordado aqui parte desta perspectiva.

A aproximação com as comunidades se deu com o auxílio dos profissionais da Unidade de Saúde da Família, especialmente os Agentes Comunitários de Saúde que acompanham as famílias do território.  O acompanhamento foi feito por visitas domiciliares, atendimentos individuais na USF, dentre outras atividades. A maior parte do público que se propunham a nos procurar eram mulheres, mães e avós, e relatavam constantemente o medo da morte, do uso de drogas pelos filhos e da violência policial.

Durante esse período foi verificado que contamos com poucos mecanismos na saúde para atenção de questões desta ordem, mas por outro lado, a ESF se mostra através da relação mais próxima com o território e do contato privilegiado que se dá através dos ACS, como mecanismo de muita potência para este cuidado.


Palavras-chave


Atenção Primária, População Negra, Violência