Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), 6º Fórum de Mobilização Antimanicomial/3ª Mostra de Atenção Psicossocial - ISBN 978-85-60382-69-9

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SOBRE VIOLÊNCIA, GÊNERO E UMA PSICOLOGIA FEMINISTA
Tatiana Aline de Souza Carvalho

Última alteração: 2016-06-06

Resumo


Proponho partilhar aqui, as compreensões e tessituras realizadas no período do estágio profissionalizante, que se deu no Centro de Referência no Atendimento à Mulher vítima de violência, no ano de 2015, onde evidenciou-se a necessidade de ampliação da compreensão de discussões como gênero, violência, e da própria Psicologia Feminista. Compreendendo gênero como um dos eixos centrais da organização da experiência dos sujeitos no mundo social (Miguel e Biroli, 2014), e que o feminismo vem questionando a atual ordem, buscando uma nova forma de organizar o mundo e as relações sociais, não caberia à Psicologia se furtar a este debate. Os embates assumidos pelo feminismo, ao questionar e enfrentar os moldes tradicionais e hierarquizados de relação entre homens e mulheres, a partir de uma “ordem dominante masculina”, dialoga diretamente com um grupo da Psicologia que, ao propor uma ciência antissexista, reconhece um modo de produção da Ciência que privilegia ou diz do lugar do masculino, negligenciando outras vivências (Neves e Nogueira, 2003). Cabe salientar que este grupo aponta para compreensões que não são consensuais na Psicologia, ao propor revisar metodologias e conceitos psicológicos, possibilitando inclusive uma nova abordagem da ciência, assume-se um compromisso político, com claro posicionamento, negando a ideia de neutralidade, comum e amplamente aceita na perspectiva positivista e androcêntrica da ciência (Neves e Nogueira, 2003). Michelle Fine, em entrevista a Karla Galvão Adrião (2015), fala da direta intersecção entre psicologia e feminismo, apontando que estes estudos – da Psicologia Feminista – dialogam diretamente com os estudos no Brasil a partir da Psicologia Social, não havendo neste país uma produção específica ou escola. Sendo a discussão em torno do enfrentamento à violência contra a mulher uma das principais pautas dos movimentos feministas e, consequentemente, da Psicologia Feminista, atuar neste campo requer, então, compreender conceitos como gênero e violência, e as diversas facetas sob a qual esta se apresenta. Como salienta Neves e Nogueira (2003, pág. 52), as “(...) metodologias feministas de intervenção e de investigação pressupõe à partida um compromisso do/a investigador/a e/ou do/a interventor/a com a mudança social e com o activismo em prol da emancipação”. A busca pela emancipação, bem como, da autonomia e liberdade, são totalmente pertinentes ao fazer psicológico, e incompatíveis com formas de violência e opressão. Discuto violência com base no conceito definido por Chauí (1985), onde entende-se que a violência seria uma relação de hierarquização e desigualdade, tendo, nesse contexto, uma finalidade de exploração, opressão e dominação. Desse modo, não se trata o ser humano como sujeito: implica-se essa pessoa em um processo de coisificação e assujeitamento, anulando ou impedindo sua fala e o empoderamento. É nesse cenário que se evidencia a necessidade da Psicologia se voltar para a realidade social, buscando formas de intervir diretamente sobre ela, implicada com uma transformação e produção de modos mais democráticos, equânimes e justos de relações e de sociedade.


Palavras-chave


Estágio; Aprendizado baseado na experiência; Violência contra a mulher, Gênero; Psicologia Feminista.