Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), 6º Fórum de Mobilização Antimanicomial/3ª Mostra de Atenção Psicossocial - ISBN 978-85-60382-69-9

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PERFIL DE ESTUDANTES QUE FAZEM USO DE CRACK EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE PETROLINA-PE
Ana Kamila da Silva Freire, Ana Karla da Silva Freire, Bruna Ruana da Silva Nunes, Camila Carvalho dos Santos, Dacyane Tárcia Ferraz da Cruz, Edgo Jackson Pinto santiago, Maria de Fátima Alves Aguiar Carvalho

Última alteração: 2016-05-20

Resumo


Introdução: O uso de substâncias ilícitas e suas consequências têm proporcionado uma preocupação mundial devido ao aumento do número de pessoas que estão consumindo e também sobre o seu impacto na sociedade (FERNANDES; et al, 2015; BRASIL, 2010). A instituição escolar, no entanto, pode agir estrategicamente na prevenção de uso dessas substâncias, contribuindo para o processo de promoção da saúde. Evidencia-se uma atenção peculiar ao uso do crack atrelado aos efeitos deletérios ao organismo no que tange aos sistemas físico e psíquico humano (SILVA; SANTOS, 2011). Diante disso, o PET Saúde, cuja linha: Drogas: é preciso intervir nas escolas, aprovado sob o parecer de nº 0018/270512, pelo Comitê de Ética e Deontologia em Estudos e Pesquisas da UNIVASF, buscou aproveitar esse espaço de integração para desenvolver atividades de pesquisa e promoção à saúde, ao inserir-se em uma escola pública de Petrolina-PE. Objetivos: Conhecer o perfil dos estudantes de uma escola pública que utilizam o crack e analisar dados sócio-demográficos desses estudantes em relação ao uso dessa droga. Método: Enfoque quantitativo, a partir dos resultados obtidos com o preenchimento pelos estudantes de um questionário auto-preenchível, contendo questões sobre o crack. Resultados e Discussões: O sexo predominante nos resultados foi o sexo feminino com uma porcentagem de 58% e a maioria dos entrevistados (42%) estava na faixa etária de 15 a 17 anos. Quanto ao grau escolar, 52,8% estava no ensino médio, seguido do fundamental II com 38,6% e, de todos os estudantes, apenas 0,8% já experimentou o crack, corroborando com os dados do uso dessa substância em grandes capitais brasileiras que também apresentou essa mesma porcentagem (CAVALCANTI, 2013). Em relação à distribuição por sexo dos que já experimentaram, o masculino1 sobressaiu-se (1,1%), contra 0,3% do sexo feminino. Além disso, a idade predominante, neste caso, foi a de 18 anos ou mais (1,8%), seguido de 15 a 17 anos com 0,5%. Os resultados mostraram, além do mais, que o primeiro uso aconteceu predominantemente na faixa etária de 18 anos ou mais, com 45,5% dos casos, seguido de 15 a 17 anos com 9,1%. Dos que usam essa substância, mais da metade tem um relacionamento bom com os pais (54,5%) e uma minoria tem um relacionamento ruim (9,1%). Sobre o relacionamento entre os pais, a maioria destes vive separado (36,4%), demonstrando, assim, que pode existir alguma contribuição desse fato no uso do crack pelos adolescentes. Ademais, 81,8% das pessoas que usam, têm uma perspectiva de vida positiva quanto ao futuro. Conclusão: Percebeu-se que houve uma congruência com os dados nacionais. Isso significa que são necessárias políticas públicas mais direcionadas para a prevenção e promoção à saúde nas escolas, uma vez que, são nestas, que o adolescente passa uma parcela considerável de seu tempo. É preciso, ainda, compreender o que ocorre com esses adolescentes e seu meio, percebendo suas vulnerabilidades e especificidades atribuídas ao uso da droga, permitindo a implementação de ações em saúde e de reabilitação social focadas no sujeito.

 

Referências:

BRASIL. Presidência da República. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. I Levantamento nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras. Brasília: SENAD; 2010.

CAVALVANTI Talita. Maior pesquisa sobre crack já feita no mundo mostra o perfil do consumo no Brasil. Fundação Oswaldo Cruz: uma instituição a serviço da vida. 2013.

FERNANDES, P. et al. CAPS AD: drogas psicoativas promotoras de dependência entre assistidos. Journal of Biology & Pharmacy and Agricultural Management, v. 10, n. 3, 2015.

SILVA, J. C.; SANTOS, E. M. A. L. Crack e adolescência: fatores de risco para o consumo. 2011.

 


Palavras-chave


Drogas; Crack; Escola Pública; Estudantes.