Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), IV Fórum de Mobilização Antimanicomial do Sertão do Submédio do São Francisco - ISBN 978-85-60382-71-2

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TERRITORIALIZAÇÃO: CONHECENDO PARA ATUAR
Ana Carolina Fernandes de Oliveira, Itanna Vytoria Sousa Serra

Última alteração: 2015-12-02

Resumo


Introdução: O processo de territorialização possibilita conhecer o território para além das delimitações geográficas, pois nesses espaços habitam pessoas com suas vivências, subjetividades, conflitos, interesses e relações que estabelecem uns com os outros e, que só a delimitação espacial não conseguiria dar conta da sociodinâmica existente. (BRASIL, 2004) Problema: Descrever a importância da territorialização no processo de trabalho dos residentes em saúde mental, através da percepção não só daquilo que está instituído, mas também os movimentos de criação, de força, de produção de saúde e doença, os determinantes sociais e culturais que se relacionam com os processos de saúde, a história, os personagens que compõe a rede. Sujeitos Envolvidos: Participaram deste processo os profissionais – residentes, pessoas chaves/ atores sociais da comunidade, assim como, profissionais de saúde que compõem a rede do município. Período de Realização: O período imersão no território foi entre os meses de Junho e Julho de 2014. Abordagem: Foram realizadas visitas aos equipamentos distribuídos na sede do município, bem como, visitas às comunidades escolhidas. Em cada território efetuamos oficinas e planejamento participativo sistematizado que foram sistematizados a partir matriz FOFA (Fortalezas, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) e da matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência), respectivamente, através do Método Dialógico - Vivencial (MDV), que consiste em analisar e vivenciar o cotidiano da comunidade no intuito realizar a interação social e priorizar as ações a serem realizadas no território. (REBOUÇAS JR, 2007) Resultados e Discussões: Buscamos entender o território que iríamos adentrar a partir da identificação dos determinantes sociais das comunidades para a territorialização, pois Carvalho & Buss (2009 p.141) descrevem que “o conceito da saúde como uma complexa produção social, em que os resultados para o bem-estar da humanidade são cada vez mais o fruto de decisões políticas incidentes sobre os seus determinantes sociais.” A territorialização consiste num processo para organização dos processos de trabalho e das práticas de saúde. (MONKEN & BARCELLOS, 2005) Desta forma as atividades mencionadas propiciaram para a prática do cuidado no contexto social em que o usuário habita, proposto pela Lei 10.216/ 01. Vale ressaltar a importância das ações multiprofissionais e intersetoriais, permitindo troca de saberes e experiências entre os profissionais, considerando as singularidades e particularidades de cada usuário, proporcionando desta forma a integralidade do cuidado. Estas concepções nos fizeram refletir quanto à importância de conhecer o cotidiano da comunidade, a dinâmica das instituições para além da saúde ou dos transtornos e sim trazer um olhar para existência humana, ou seja, rever nossos olhares sobre a doença e, converter-los em cuidado, alívio e a ressignificação do sofrimento e para a potencialização de novos modos individuais e grupais de estar no mundo. Conclusão: Esse momento possibilitou ao Residente mapear o seu território de prática, o que facilita a legitimar as intervenções, tendo em vista que qualquer trabalho construído a partir da demanda da comunidade tem em si maior potencial de transformação. Por isso ressalvamos a importância da nossa atuação para além dos serviços institucionais, a fim de fortalecer os laços afetivos com a comunidade.

Palavras-chave


Residência Multiprofissional; Territorialização; Planejamento em Saúde