Portal de Eventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), IV Fórum de Mobilização Antimanicomial do Sertão do Submédio do São Francisco - ISBN 978-85-60382-71-2

Tamanho da fonte: 
ARTICULAÇÃO ENSINO-SERVIÇO: FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM SAÚDE MENTAL
Grécia Rejane Nonato de Lima, Barbara Eleonora Bezerra Cabra, Geiziane Rodrigues dos Santos, Laiane Machado Souza, Michele Lorena de Souza Costa

Última alteração: 2016-05-09

Resumo


Este relato objetiva comunicar reflexões sobre a formação partindo da experiência vivida no contexto do projeto de extensão intitulado “Apoio à Mobilização Antimanicomial no Sertão do Submédio São Francisco: articulando saberes e ativando redes na Atenção Psicossocial”, vinculado à Universidade Federal do Vale do São Francisco/Univasf. Em atividade desde outubro/2012, considera-se que tem sido uma via potente para operacionalizar a aproximação ensino-serviço, impactando significativamente o processo formativo dos estudantes. Destaca-se tal aproximação como indispensável à formação em saúde na contemporaneidade, visando sintonizá-la à realidade das necessidades de saúde. Sendo a Reforma Psiquiátrica um processo social complexo, que vem acontecendo de maneira processual e contínua no país (AMARANTE, 2008), avalia-se que, no cenário local, as redes de atenção psicossocial encontram-se fragilizadas, havendo um ritmo lento no processo de transformação da atenção em Saúde Mental, tendendo a retrocessos. Os diversos investimentos na formação são fundamentais para turbiná-lo. O apoio ao Núcleo de Mobilização Antimanicomial do Sertão (Numans), movimento social local, através do projeto de extensão, tem-se constituído instrumento de aprimoramento da formação e educação permanente na região. O mote do projeto se respalda na importância de fomentar a participação dos diversos atores sociais, especialmente usuários e familiares, em espaços formativos, para possibilitar a ampliação do poder de contratualidade nos diversos níveis, visando maiores conquistas no processo de reforma psiquiátrica (VASCONCELOS, 2008). O grupo de extensão conta com estudantes de Psicologia, professora orientadora e vários colaboradores das RAPS regionais. Articulando ensino-pesquisa-extensão, viabiliza a inserção dos estudantes no campo, em experiência próxima do fazer profissional, como práxis implicada, pondo em ato a função social da Universidade. Encontros semanais do grupo contemplam estudos teóricos, planejamento e avaliação, implicando ação-reflexão permanente. Respalda-se na pesquisa interventiva, assumindo o caráter intrusivo da mera presença do pesquisador, com uma atenção permanente aos efeitos das intervenções (ANDRADE, MORATO, SCHMIDT, 2007). Os contatos com usuários, familiares e profissionais aproxima os estudantes do contexto das políticas públicas e da realidade das redes públicas. A partir da matéria-prima construída no cotidiano das ações, avalia-se que a participação tem potencializado o processo formativo dos envolvidos, com ênfase no exercício transdisciplinar e a importância de cada um na ativação das redes. Os estudantes têm sinalizado a apropriação de um sentido de coletivo e de defesa do público, aprendendo-se a transmutar e criar modos de saber-fazer e fazer-saber saúde, reconhecendo as pessoas em sua complexidade, como corresponsáveis e protagonistas na produção de cuidado e saúde. Destaca-se, ainda, que todas as ações propostas/desenvolvidas vêm buscando aprimorar a comunicação na RAPS, contribuindo para discussões sobre o processo de cuidado a partir da valorização da singularidade e capacidade dos usuários de avaliarem os próprios serviços. Compreende-se que tal empoderamento marcará a atuação profissional dos envolvidos, pela incorporação de um sentido ético-político e valorização do compromisso social nas trajetórias de luta por garantias de direitos.

Palavras-chave


Formação; Saúde Mental; Empoderamento; Extensão Universitária; Movimento Social